14 março 2016

Casal leva empregada a protesto e expõe parte da motivação contra o governo Dilma

Entre as muitas imagens das manifestações deste domingo (13), cujos motes principais foram "contra a corrupção", "fora Dilma" e "fora PT", uma viralizou nas redes sociais como simbólica da resistência de uma parcela da população às políticas sociais que são marcas dos governos petistas – e deixam muitos setores da direita insatisfeitos. A imagem, registrada num bairro da zona sul carioca, mostra um casal vestido a caráter para participar da manifestação acompanhado de seus dois filhos bebês, ambos em carrinhos empurrados por uma mulher negra usando um uniforme de doméstica.
Nas redes, a foto inspirou muitos "memes" remetendo aos tempos da escravidão, ao reconhecimento dos direitos trabalhistas dos empregados domésticos etc.
Segundo o jornalista e blogueiro Renato Rovai, o personagem da foto é Cláudio Pracownik, vice-diretor de Finanças do Flamengo. Ele também é sócio diretor do Banco Brasil Plural.
Ainda segundo Rovai, antes disso Pracownik foi membro do Conselho de Administração da Terra Brasis Resseguros, sócio e diretor executivo da Ágora Corretora e do Banco Pactual, além de vice-presidente financeiro das empresas Brasif e diretor de Operações do Banco Santander Brasil, Banco Bozano-Simonsen e Banco Meridional.
A Brasif é a empresa que, segundo Mirian Dutra, a jornalista que teve um relacionamento amoroso com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, lhe pagou durante quatro anos US$ 3 mil por mês para ficar “exilada” na Espanha. Mirian diz que durante aquele período não trabalhou para a empresa.
A Brasif também é a empresa que teve todos os documentos queimados num incêndio em Contagem (MG), há três dias antes do primeiro turno da eleição de 2014.
Ao notar a repercussão que a foto alcançou, Cláudio postou uma resposta em seu perfil no Facebook, na qual usa as relações de trabalho para justificar seu "direito" .
"Ganho meu dinheiro honestamente, meus bens estão em meu nome, não recebi presentes de construtoras, pago impostos (não, propinas), emprego centenas de pessoas no meu trabalho e na minha casa, mais 04 (sic) funcionários. Todos recebem em dia. Todos têm carteira assinada e para todos eu pago seus direitos sociais", escreveu.
Disse ainda que "a babá da foto só trabalha aos finais de semana e recebe a mais por isto. Na manifestação ela está usando sua roupa de trabalho e, com dignidade, ganhando seu dinheiro."
E expôs seu entendimento para explicar que sua relação com a doméstica não remete, nem tem analogia com a escravidão. "A profissão dela é regulamentada. Trata-se de uma ótima funcionária de quem, a propósito, gostamos muito. Ela é, no entanto, livre para pedir demissão se achar que prefere outra ocupação ou empregador."

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