08 outubro 2016

"Brasil, ame-o ou deixe-o" em nova edição

O espírito do fascismo realmente escapou da garrafa e está solto por aí, espalhando seu veneno. O governo, em sua ofensiva publicitária de viés fascista em defesa do ajuste fiscal lançou o bordão de duplo sentido "vamos tirar o Brasil do vermelho". Na mesma linha, a consultoria Empiricus está veiculando na Folha de São Paulo, versão online, outra peça tão ou mais divisionista e sectária, discriminadora dos que possam discordar da verdade única de que seria portadora. "Se você é contra a PEC 241 você é contra o Brasil", diz a campanha que busca adesões a uma petição em favor da aprovação da emenda constitucional que limita o gasto público à inflação do ano anterior.
O que ela diz é que são impatriotas todos os que discordam da proposta do Governo. Logo, merecem ser repudiados, perseguidos e quem sabe agredidos pelos que são a favor do Brasil, universo restrito ao que concordam com a medida. Isso é uma aposta na divisão, no sectarismo, na estigmatização das pessoas por conta de um pensamento divergente. É a negação da pluralidade, da liberdade de pensamento e da própria democracia. O nome disso é fascismo.
O bordão da campanha da Empiricus, cujo nome precisa ser garimpado com lupa no canto inferior da peça, só pode ser comparado a um dos slogans mais fortes da ditadura militar, o "Brasil, ame-o ou deixe-o", bordão apregoada aos quatro ventos pelo regime e por seus apoiadores no auge dos anos de chumbo. Ele dizia, subliminarmente, que por não amarem o Brasil alguns brasileiros mereciam o exílio, a prisão, a cassação, a tortura e até mesmo a morte.
A campanha da Empiricus criou a hastag #PEC241afavordoBrasil" nas redes sociais e tem um "perguntas e respostas" sobre a proposta do Governo, procurando demonstrar que sem a PEC o país vai para o abismo. Oferece o acesso para a assinatura a petição e sugere que o cidadão se inscreva para receber constantemente informações por email sobre o andamento da PEC. É uma cruzada. Até à hora em que escrevo, 16hs48m, as adesões teriam batido em 56.791 assinaturas. Carrega também um texto que diz: O objetivo é conter a expansão da despesa pública primária que, no período 2008-2015, cresceu, anualmente, em média, 6% acima da inflação. O controle da expansão da despesa primária é fundamental para reduzir a despesa financeira, pois permite ao governo financiar sua dívida com uma taxa de juro menor. De fato, ao buscar adequar suas despesas às receitas auferidas, o governo sinaliza para os detentores de títulos públicos que os valores contratualmente estipulados nesses títulos serão honrados, possibilitando menores taxas na negociação de novos títulos públicos.
Ou seja, em fina sintonia com o "Vamos tirar o Brasil do vermelho", sugerindo a responsabilidade do partido que governou entre 2008 e 2015.

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