05 novembro 2016

No pós-golpe, Temer prega o voto facultativo

 
O voto ainda tem algum valor no Brasil? Depois que o 54 milhões de votos concedidos à presidente Dilma Rousseff foram rasgados pelo golpe parlamentar de 2016, a resposta, claramente, é não. Outra prova da desvalorização do voto foi a abstenção de 32,5% dos brasileiros nas eleições municipais – o que fez com que vários prefeitos tivessem menos eleitores do que a soma de brancos, nulos e abstenções.
Diante desse cenário, o presidente Michel Temer, que chegou ao poder após apoiar uma conspiração política contra sua companheira de chapa, pregou o voto facultativo em entrevista à jornalista Mariana Godoy.
"Talvez seja preciso fazer mesmo uma reforma política, e na reforma vai entrar em pauta o chamado voto obrigatório, e o voto facultativo. Talvez fosse o caso de começar a examinar a hipótese do voto facultativo. Quer votar, vota. Não quer, não vota. Evidentemente que isso precisa vir acompanhado de uma pregação da cidadania", disse ele.
"Eu acho que há naturalmente um mal-estar com a classe política, e o mal-estar com a classe gera as mais variadas críticas. E, às vezes, a crítica vem pelo silêncio. Isso nos leva a uma reformulação da política no país e à compreensão da classe política de que algo está errado", prosseguiu.
Temer também defendeu o parlamentarismo, regime que foi imposto à força por ele e seus aliados em 2016 – uma vez que Dilma foi afastada apenas porque perdeu uma maioria parlamentar ocasional.
"Eu acho que é possível discutir o parlamentarismo. Há muitos agentes políticos que são parlamentaristas. É possível discutir numa reforma política. O impedimento [da ex-presidente Dilma Rousseff] foi traumático. No parlamentarismo não. Se acontecer um desastre no governo, você muda o governo", afirmou Temer.
O impeachment foi traumático por uma única razão: o Brasil escolheu, por meio de sua população, ser presidencialista. E como a mudança de governo se deu sem crime de responsabilidade, o que ocorre foi um golpe parlamentar – e não um processo legítimo de impeachment.

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