14 abril 2017

O insustentável Temer, que para Janot "capitaneava" esquema do PMDB

A maior ironia da crise em seu atual grau de fervura,  depois da lista de Fachin, está no fato de Michel Temer estar blindado pelo cargo que, com o golpe, tomou de Dilma Rousseff. Apesar das graves denúncias contra ele, com destaque para a participação numa reunião que acertou propina de US$ 40 milhões, que hoje seriam mais de R$ 120 milhões,  Temer não pode ser investigado por atos que antecederam seu mandato. "Por ora", diz textualmente o procurador-geral Rodrigo Janot em sua petição ao Supremo, na qual afirma que  Temer "capitaneava" o esquema de propinas para o PMDB.  Mas o problema do Brasil é agora. Não pode o país ser condenado a manter um governo que se tornou moralmente insustentável. Após citar passagens das delações e outros elementos, Janot afirma serem fortes as indicações de que os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral) sempre foram encarregados da "obtenção de recursos ilícitos para o grupo capitaneado por Michel Temer".
Temer sujeitou-se hoje a gravar e divulgar um vídeo em que tenta se explicar. Quando um presidente chega a este ponto, está sangrando. E no entanto, a gravidade das acusações que pesam contra o ocupante da presidência da República não está sendo colocada no centro do drama político nacional.    Se a Constituição não permite que ele seja investigado e, por decorrência, afastado do cargo, e se não tem ele a grandeza de renunciar, a saída constitucional tem que ser encontrada. Passando pela antecipação de eleições gerais, e quem sabe pela eleição de uma Constituinte destinada exclusivamente a remontar o sistema político destroçado.   Quando Dilma enfrentava o impeachment, sob a acusação de ter cometido pedaladas fiscais e editado decretos sem autorização legislativa, os brados por "renúncia" ecoaram, vindos da mídia e da oposição. Agora, faz-se um silencioso obsequioso sobre a insustentável situação de Temer.
Examinando o depoimento do ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho, Janot volta a destacar o papel de Temer afirmando que  "o núcleo organizado do PMDB da Câmara"  era formado por Temer, Padilha e Moreira Franco. O do PMDB do Senado, como também foi dito nas delações, era coordenado por Romero Jucá.  Referindo-se a Padilha, Janot diz que ele "atuava como verdadeiro preposto de Michel Temer, deixando claro que muitas vezes falava em seu nome e utilizava seu peso político para obter êxito em suas solicitações".
Ao relatar a reunião que tratou da propina de US$ 40 milhões em 15 de julho de 2010, no escritório de Temer, o delator  Marcio Faria da Silva. destacou a posição de comando que ele assumiu no encontro. “Michel Temer sentou na cabeceira”. De um lado Eduardo Cunha, de outro Henrique Eduardo Alves.  Temer se referia eles como "esses rapazes", dizendo que cuidariam dos aspectos práticos da propina de 5% sobre um grande contrato. Depois de um desmentido categórico, Temer já admitiu o encontro, negando porém a negociação da propina. Deve confiar na indulgência com que sua situação vem sendo tratada.

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