18 junho 2017

O equilíbrio precário da aliança PMDB-PSDB

Ueslei Marcelino/Reuters
Na última segunda-feira, logo após o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral sobre as eleições presidenciais de 2014, o PSDB finalmente desceu do muro e reafirmou seu apoio ao governo de Michel Temer, em nome das chamadas "reformas". Uma decisão polêmica, que provocou revolta entre simpatizantes tucanos e provocou defecções na legenda, com desfiliações simbólicas, como a do jurista Miguel Reale Júnior, co-autor da peça jurídica sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff, e a do empresário Ricardo Semler.
Nos bastidores, o que se diz é que o PSDB foi devorado pelo jogo pesado do PMDB. Se a cúpula tucana não enquadrasse os que defendiam a ruptura com Temer e a entrega imediata dos cargos no governo federal, o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) também não teria os votos dos peemedebistas no conselho de ética do Senado. Ou seja: o político que quase venceu a disputa de 2014 seria cassado, na maior derrota política da história do PSDB. Portanto, os tucanos não apoiaram Temer, que está prestes a ser denunciado por corrupção, obstrução judicial e organização criminosa, por vontade própria, mas, como diria o escritor Guimarães Rosa, por precisão. Afinal, estão todos no mesmo barco.
O equilíbrio da aliança PSDB-PMDB, no entanto, é extremamente precário e pode desmoronar já na próxima terça-feira, quando um pedido de prisão formulado pelo procurador-geral Rodrigo Janot será levado ao plenário do Supremo Tribunal Federal. A se repetir a maioria formada no julgamento de um habeas corpus impetrado pela defesa de sua irmã Andréa Neves, Aécio será preso. Ele poderá contar com os votos dos ministros Marco Aurélio Mello e Alexandre de Moraes, mas não com os de Luis Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux, que formam a primeira turma da corte. Se esse prognóstico de 3 a 2 pela prisão de Aécio se confirmar, a moeda de troca do acordão não existirá mais. Portanto, os tucanos não terão mais motivos para se enfileirar nas trincheiras de Temer, que também sofrerá novos desgastes com a denúncia de Janot.
Essa possibilidade de ruptura foi explicitada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), presidente interino do PSDB, numa entrevista publicada no feriado de Corpus Christi. "Não tenho condições de dizer se Temer é culpado ou não, mas tenho condições de dizer que, praticamente com todo o seu gabinete preso, processado ou pego em flagrante, e as próprias gravações com ele, ele precisa muito rapidamente comprovar sua inocência para levar adiante esse momento difícil", afirmou. Temer se referia aos aliados de Temer que já foram presos, como Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Tadeu Filipelli e Rodrigo Rocha Loures, e àqueles que ainda podem vir a ser, como seus nove ministros que estão sob investigação.
Nesse ambiente tão conturbado, há praticamente um consenso formado entre os agentes econômicos de que Temer não terá autoridade nem força política para conduzir reformas econômicas tão impopulares quanto a trabalhista e a da Previdência. Ou seja: o governo perdeu toda a serventia para as forças econômicas que o levaram ao poder e hoje se dedica, apenas, à busca da própria sobrevivência. Muito pouco para um país com as dimensões e a importância do Brasil, que, embora tenha sido colocado em modo autodestruição pela sua própria elite, ainda tem capacidade de se regenerar.

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