09 agosto 2018

Medo de Lula reflete ódio ao povo, diz Fernando Brito

Por Fernando Brito, editor do Tijolaço Tudo o que dizem de Lula: que ele é corrupto, que é ladrão, que está em seus governos a raiz da crise que o Brasil vive, que existe uma imensa – quase unânime – rejeição a ele e tudo o mais que se trombeteia sobre o ex-presidente é uma arenga vazia, conversa-mole que não resiste a uma pergunta, simples, direta, irrespondível:
-Então, porque é que não deixam Lula se candidatar e, por tudo isso, perder a eleição?
Nas respostas, vocês verão como se abrem as comportas do elitismo, da estupidez e do ódio, numa onda de lama tóxica de fazer inveja àquela dos rejeitos da Samarco.
"Ah, ele se elege" – sim, porque a maioria sabe disso – "porque o povo é indolente e malandro" (apud General Mourão) "e só quer Bolsa Família", falarão muitos. Outros, mais sinceros, dirão logo "porque o povo é burro", "porque brasileiro não presta", "porque pobre não sabe votar" e outras pérolas da imbecilidade explícita.
Não sei se este será, mas bem que poderia ser, um dos motes da campanha de Lula – sim, de Lula, porque é ele o candidato, mesmo que não o deixem ser e porque não é democrata e menos ainda de esquerda quem mente ao povão:
"Quem tem medo de Lula, tem medo do povo".
Porque não é do Lula, o Luíz Inácio, homem cordato e negociador, nem do Presidente conciliador que ele foi que essa gente tem medo.
Afinal, Lula jamais mandou prender um inimigo do povo, não tomou terra dos fazendeiros, não estatizou os bancos, não nacionalizou as multi, não confiscou patrimônio de ninguém...
Lula não fez mal a nenhum deles, mesmo sabendo que seria extremamente popular mandar em cana alguns desta turma.
Mas este pessoal tem horror e nojo do povo brasileiro.
Não admite que ele vá a um aeroporto, não aceita que seus filhos frequentem a universidade, que não queiram trabalhar, como a mãe, de empregada doméstica e, se tiver de fazê-lo, será como um trabalhador, com direitos e respeito, não como um agregado que come restos de favor.
Gente muito bem posta na vida, que acha que, sim, o filho do pobre tem de frequentar a escola, mas só o suficiente para ler e escrever bilhetes e ler placas de "proibido". Como quis o Dr. Roberto Marinho quando disse a Brizola que, em lugar de escolas de Primeiro Mundo, como o Ciep, bastariam umas "escolinhas".
Gente que não entende que o nosso programa revolucionário se expressa nos versos do Dominguinhos: "usufruir do bem, do bom e do melhor/Seja comum/Pra qualquer um/Seja quem for".
Pois é por isso que Lula está aí, depois de mais de dois anos de perseguição, depois de julgamentos fajutos, depois de quatro meses de prisão sem que possa falar em sua própria defesa, liderando as pesquisas e impondo a esta gente o dilema do "se prender o bicho vence, se soltar o bicho ganha".
E ainda vão dizer que o povo brasileiro é burro, que não sabe votar, que se deixa levar pela propaganda?
O protagonista desta campanha não é o Lula, é o povo. Porque o povo é a quem eles odeiam e odeiam Lula porque odeiam o povo.

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