JARDINENSE QUE RESIDE NO RIO DE JANEIRO, NARRA FATOS DE JARDIM DAS DÉCADAS DE 1950 E 1960.

Atendendo à sua solicitação no seu Blog, para a divulgação do histórico da Cidade de Jardim de Piranhas, mesmo residindo no Rio de Janeiro desde 1965, mas sendo filho da cidade, gostaria de apresentar o cenário da cidade nos idos das décadas de 1950 e 1960, período de minha adoleslência vivida, em parte, na cidade:
Nasci em 1947 no Sítio Gangorrinha, Município de Brejo do Cruz, atualmente pertencendo ao Município de São Bento, distante de Jardim em 13 km, aproximadamente, distância essa que nós fazíamos a pé, a cavalo ou de bicicleta nos domingos para a belíssima feira de Jardim de Piranhas. No início, não existia a Ponte, e a travessia do Rio era feita em canoa quando na época das cheias. Depois da construção da Ponte ficou tudo mais prático. Todos os domingos eu vinha do sítio para assistir à Missa, fazer compras e primeiro curtir o Mercado da cidade. O Mercado ainda existe, o qual foi inaugurado em 1951. Tudo acontecia no Mercado. Nele estavam as lojas de miudeza, de comida, açougue e tudo o que se precisava. Era uma espécie de hipermercado, onde se comprava de tudo. A gente ficava o dia inteiro passeando pelo corredor central do Mercado e circulando pela rua e passando novamente pelo Mercado, paquerando as meninas e flertando. Era muito gostoso que você nem imagina. Pergunte ao meu primo Geraldo Dutra, irmão do felecido Joaquim Magro, pai do Chagas Brega, que ele vai te confirmar tudo isso, pois, ele fazia parte deste cenário que estou descrevendo, OK? Pena que atualmente o Mercado está abandonado, Estive aí em dezembro de 2007 e fiquei arrazado dom o descaso do mesmo. Ele precisa ser reativado porque aquilo ali é uma relíquia histórica e deveria ser tombado historicamente para a tradição da nossa cidade. É uma questão de política do Prefeito e de uma reivindicação do povo da cidade, notadamente os mais antigos. Eu me lembro do Armazém de Graciano, onde papai fazia as compras (açúcar, farinha, rapadura, etc). Tinha também o Armazém de Emídio Mariano, onde papai comprava os mesmos produtos, dependendo das condições do preço, etc. Era muito gostoso. Nas festas da Padroeira a gente fazia literalmente a nossa festa. Cerveja e mulher. Como eu namorei nos meus últimos tempos em que vivia aí. Mesmo eu residindo no sítio, participava de todos os eventos sociais da cidade de Jardim, inclusive no último ano (em 1964) estudei em Jardim, no Educandário São Francisdo, com o Professor José Henrique de Araúdo, o qual foi Prefeito de Jardim e está com 85 anos de idade. Antes de eu vir para o Rio, eu trabalhava no sítio, na Vaca Brava, com o meu tio Joaquim Dutra e com o meu primo Zezinho de tio Mercinho, o teu pai, e vinha de bicicleta estudar, exatamente para me preparar melhor para vir para o Rio de Janeiro. Ai em Jardim eu cursei o antigo 5º Ano de Admissão ao Ginásio. Na política, quem mandava eram os Saldanhas. Marinheiro e família. Lembro de Jeó, Prefeito (Jeocy Vale de Freitas). Dancei bailes de carnaval na cidade, abrilhantado pelo maior sanfoneiro José Raimundo, pai da Sobélia, a tua mãe. Que tempo bom da muléstia e da gota serena!!!! (sorrindo). Será que nos tempos atuais isso existe aí? Acho difícil. Portanto, primo, acho interessante você tentar resgatar o Retrato da nossa cidade. Não sei se este meu depoimento te ajuda em alguma coisa, mas eu gostaria de deixar aqui este registro para você, que é jovem, para sua reflexão. Tente resgatar, junto ao Prefeito, pelo menos a restauração do velho Mercado. Você estará fazendo uma excelente revitalização do Retrato da nossa cidade, com a restaução do velho Mercado. Obrigado pela oportunidade de poder me expressar com relação a esse meu passado inesquecível e salutar que vivi na nossa cidade. Que Deus te abençoe sabiamente!
DUTRA - Francisco Dutra de Almeida
Rio de Janeiro - RJ - Em 17/03/2011
Capitão do Exército (na Reserva)
Fonte: Jarles Cavalcanti

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