Anvisa defende redução do teor de "iodo" no sal brasileiro

Brasília - Uma proposta para reduzir a quantidade de iodo no sal brasileiro foi colocada em consulta pública pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A medida, feita a pedido do Ministério da Saúde, é uma reação à mudança do hábito alimentar do brasileiro, que passou a usar mais o tempero em sua dieta. Com o maior consumo do sal, a quantia de iodo adicionada ao produto deve ser ajustada, defende o ministério. 
Resolução da Vigilância Sanitária, que será colocada em debate, prevê a redução de até 25% na adição de iodo no sal processado no Brasil"A medida pretende reduzir o risco de uma ingestão excessiva de iodo, que, de acordo com estudos, pode levar à tireoidite de Hashimoto", afirmou a especialista em vigilância da Anvisa, Paula Ferreira. A doença ocorre por um erro no sistema imunológico. O organismo passa a atacar a tireoide, levando ao hipotireoidismo. Pacientes com o problema apresentam cansaço, ganho de peso e fadiga crônica.

O Ministério da Saúde calcula que o consumo médio de sal pelo brasileiro, incluindo alimentos processados e preparados fora de casa, é de 12 gramas - mais que o dobro do limite preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Para populações com esse perfil de consumo, a OMS recomenda que a quantidade de iodo adicionada ao sal deve variar entre 20 e 40 mg por quilo. Atualmente, a norma da Anvisa determina índice entre 20 e 60 mg. A proposta reduz para 15 a 45 mg.
A resolução deve ficar em consulta pública por 60 dias. Para Laura Ward, professora da Unicamp e diretora do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, a proposta tem um princípio falho. "O ideal seria trabalhar para uma redução da ingestão de sal, não ajustar o teor de iodo", diz. "O consumo de sal no País é extremamente elevado, algo que precisa ser corrigido. Mas não há garantias de que em todas as regiões se faça uso excessivo."
Ela avalia que, para quem usa o tempero de forma moderada e mora distante do litoral, há o risco do ressurgimento de outro problema grave: o cretinismo. A doença, provocada pela deficiência do iodo durante a gestação, pode fazer com que o sistema nervoso central do feto não se desenvolva de forma adequada.
A estimativa é de que um terço das crianças que não recebem a quantia adequada do iodo durante a gestação desenvolve o problema e outro terço, deficiência cognitiva. O bócio, por sua vez, é uma doença provocada pela falta do iodo em adolescentes e adultos. "Foi por causa das duas doenças que a adição do iodo ao sal começou a ser feita. Atualmente, não há casos registrados desses problemas no País", conta Laura. Ela teme, no entanto, que a redução dos teores de iodo no sal aumentem o risco do ressurgimento das doenças. "Será tirar de um santo para colocar em outro", compara.
Laura reconhece que a incidência da tireoidite de Hashimoto tem aumentado no Brasil e em outras partes do mundo, como países da Europa e da África, mas afirma que o consumo excessivo de iodo não é a única hipótese para o aparecimento da tireoidite. "Stress, exposição à radiação ionizante e uso de produtos com bisfenol também estão ligados à doença", diz. Na Sociedade Brasileira de Endocrinologia, ela vai defender o envio de um documento com críticas à redução. 

Falta de higiene bucal pode afetar a fertilidade

Uma pesquisa da Universidade do Oeste da Austrália sugere que uma higiene bucal precária é tão ruim para a fertilidade de uma mulher quanto a obesidade, fazendo com que elas demorem em média dois meses a mais para engravidar. Os cientistas apresentaram a pesquisa em uma conferência sobre fertilidade na Suécia. Segundo os pesquisadores, mulheres com gengivas doentes precisaram de sete meses para conceber, comparados com o prazo considerado normal, de cinco meses.
De acordo com os pesquisadores, a causa pode estar ligada à doença periodontal, caracterizada por inflamação na gengiva. Se esta não for tratada, poderá desencadear uma série de reações capaz de prejudicar o funcionamento normal do corpo.
A doença periodontal já foi ligada à doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e aborto, além de baixa qualidade do esperma em homens. "Até agora não existiam estudos publicados que investigavam se a doença nas gengivas pode afetar as chances de uma mulher conceber, então este é o primeiro relatório que sugere que a doença na gengiva pode ser um dos vários fatores que podem ser modificados para mulher melhorar as chances de uma gravidez", afirmou Roger Hart, professor líder da pesquisa.

Médicos fazem alerta sobre remédio russo

Um remédio russo para epilepsia está sendo cada vez mais usado de forma recreativa por jovens na Grã-Bretanha, segundo especialistas. O phenazepam é uma droga usada para condições como insônia e síndrome de abstinência alcoólica e, por não ser ilegal na União Europeia e nos Estados Unidos, pode ser comprada pela internet. Ela pode ser adquirida com receita na Rússia e em vários países da antiga

União Soviética

Pesquisadores da universidade escocesa de Dundee dizem ter observado desde janeiro nove casos de pessoas que morreram cujos exames de sangue indicavam a presença da substância. "Embora tenhamos detectado o phenazepam em nove casos, seu uso não pode ser identificado diretamente como a causa das mortes", disse Peter Maskell, da universidade. Todas as nove pessoas mortas tinham um histórico de uso de drogas ilegais.
Para Maskell a substância "parece cada vez mais um substituto para outras drogas", especialmente o diazepam. "Se foi uma mudança deliberada da parte dos usuários ou se é o que os traficantes passaram a vender, não está claro", disse ele. "Esta não é uma droga para festas, consumida por usuários ocasionais, mas uma mais provável de ser consumida por pessoas com histórico de problemas com drogas pesadas.
Fonte: Lígia Formenti - Agência Estado/Tribuna do Norte

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