
Conheci o “Colega Dirceu” nos idos de 1974, no Centro Educacional José Augusto – CEJA, na oportunidade estudante do Ginasial. O Colega Dirceu era meu professor de Ciências. Digo colega devolvendo-lhe a forma carinhosa com que tratava a todos nós alunos de “colegas”! O Colega Dirceu era aquele exemplo de professor que conseguia interagir com a turma como um pai o faz com seus filhos. Lembro certa feita, na Sala de Aula, quando o Colega Dirceu chamou a todos nós para uma experiência prática e escolheu Magão, expressão singular do carnaval caicoense à frente do hoje Bloco Ala Ursa do Poço de Santana, como voluntário do feito. Magão ficou de cabeça para baixo e lhe foi oferecido água num copo para que bebesse. Após ingerir o líquido, a pergunta: “Por que o Colega Magão conseguiu beber a água de cabeça para baixo se não tinha um Motor-Bomba para auxiliá-lo”? A Turma foi ao delírio! Era assim nosso convívio com o Colega Dirceu, cidadão de uma simplicidade peculiar; exemplo de humanismo na medicina.
Já nos anos oitenta, passamos a ter uma convivência diária que durou até de 2005. Foram vinte anos de uma relação harmoniosa no INSS. Ele como Médico Perito contratado e eu como servidor da autarquia. Foram momentos de muito aprendizado. Era incrível a vocação do Colega Dirceu para as boas causas, sempre focado no cidadão. Nunca recebemos nenhuma reclamação dos segurados periciados por ele durante todo esse tempo. Ao contrário, as pessoas que requeriam benefícios por incapacidade sempre solicitavam que nós os encaminhássemos para Doutor Dirceu, porque queriam por ele ser atendidas.
O Colega Dirceu tinha por mim uma estima de filho. Era assim que me tratava. Sempre que vinha devolver os Laudos Médicos se demorava além do normal na prosa comigo. Discorria com propriedade sobre temas diversos e era um cidadão preocupado com a vida e o bem estar das pessoas na cidade de Caicó.
Falava-me dos filhos, com enfoque especial para Leleu, e sempre me pediu opinião acerca de alguma polêmica envolvendo-lhe na política. Tinha carinho especial por minha filha Maria Luísa, acadêmica de medicina, e nunca se esquecia do dia em que lhe fizera um atendimento de urgência, após um acidente de pouca importância.
Após Dona Telecila cumprir a obrigação do ciclo da vida e partir para o repouso eterno, o Colega Dirceu parecera-me melancólico. Era assim que o via quando nos encontrávamos na rua. Ele sempre me falava dela afirmando um amor que nunca se acaba e nas falas era como perdesse um pouco de si.
Semana passada estive com Leleu e perguntei sobre a saúde do Colega Dirceu e a resposta foram lágrimas percebidas por somente os amigos.
O Colega Dirceu era um cidadão que fazia parte de meu grupo de amigos. Sua estética esguia e seus cabelos brancos e andar como estando sempre a refletir sobre a vida jamais sairão de mim. Não sei se precisava ser tão cedo sua saída de nosso convívio, mas parece-me que o Colega Dirceu tinha uma vontade enorme de se encontrar com Dona Telecila.
Muita paz em seu novo lar, Colega Dirceu!Gilberto Costa

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