COMO ESTAVA JARDIM EM 1989


Pesquisando os arquivos da Prefeitura Municipal, encontrei um relatório, datado de 1989, sobre como andava o saneamento básico em Jardim. Segue abaixo, na íntegra:
A cidade de “J. Piranhas”, como toda cidade da região, enfrenta sérios problemas de esgoto. Como não dispõe de um sistema de coleta de esgotos, cada morador procura resolver os seus problemas individualmente. Os esgotos domésticos terminam tendo invariavelmente dois destinos: as águas imundas (fezes e urina) são lançadas em fossas absorventes e seus efluentes, juntamente com as águas servidas (de lavagem de pratos, de roupas, banho etc) são jogadas nas ruas.
Estas fossas, geralmente ineficientes em virtude da qualidade de dimensionamento, construção, manutenção e do tipo de solo, variam de tamanho conforme o poder aquisitivo da população e da área disponível nos quintais. Quanto maiores, maior a fossa, como forma de se livrarem das indesejáveis limpezas periódicas.
Nas ruas que não são pavimentadas, o esgoto corre livremente pelas valetas laterais, que são construídas já com este fim, transporte de esgoto, para evitar que o pavimento seja danificado pelo esgoto. Já nas ruas sem pavimento, o esgoto corre de qualquer jeito, nos caminhos que são definidos em parte pela população incomodada e em parte pelas águas que, no período invernoso, esburacam toda a cidade, que não dispõe de nenhum sistema de drenagem.
As indústrias de rede utilizam bastante água em sua fabricação e todas as águas servidas são lançadas nas ruas, contribuindo para aumentar o afluxo de esgoto que chega nas periferias da cidade.
Os esgotos que correm nas ruas da cidade, além do problema estético e do desconforto da população, são os principais responsáveis pela proliferação de insetos e ratos e pela contaminação de animais domésticos, crianças e adultos.
A contaminação da população é resultante do contato direto com o solo ou águas infectadas ou pela ingestão de alimentos contaminados. As doenças que são características nestes casos são as diarreias, hepatites, febres tifoide e para-tifoide, e verminoses provocadas pela lombriga, o xiurius, solitária, giárdia e ameba.
É bem crítica a situação da cidade no que se refere aos problemas de esgoto. Levando-se em consideração que atualmente apenas 60% da população urbana conta com sistema de abastecimento de água, invariavelmente os problemas serão bem maiores quando for ampliado aquele sistema.
Fonte: Alcimar Araújo

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