O PASSAGEIRO DA CHUVA, " Le passager de la plui".

Jair Eloi de Souza*
Melly vira a noz quebrar a vidraça, mas não ficara surpresa. Nem o olhar daquele mestiço de cabelos pretos, permeados de mechas esbranquiçadas, despertara algo avizinhado com a dança do cupido. Talvez... seu estado d`alma estivesse ainda na velha cabana, à margem esquerda do Missouri, uma miragem pétrea que nada lhe permitia aportar no labirinto do livre pensar. Manhã de sol, fazia a relva desgrudasse de flocos de neve, depositados no silêncio madrugadenho pelo outono boreal, que vivia seus últimos suspiros em folhagem de tom amarelo desbotado. Aquela estação de alma contraída e ensimesmada, poupava suas energias, mas o ócio é um canto mudo e sinistro, não permite a existência nem de um monólogo em silêncio de ausente. Melly, era uma lente. tinha uma pleiade de alunos que lhe cortejava. Uns pela transmissão de saberes em sua cátedra, outros pelo atrativo de suas curvas e retas, que enlouquecia estes, quando cruzava as pernas em ângulo transversal, deixando em abandono a gruta pubiana que deveria está protegida pela langerie de cor purpural.

Melly, tinha uma tez clara, cabelos sempre curtos. Estatura meã, olhos de azul safira, mas, de uma agudez felina. Um rosto atrativo pela sardas que o adereçava. Morava a sós e as incursões noturnas havia dias estavam suspensas. Naquele condado, desapareceram algumas mulheres, que definiam terem sido vítimas de um psicopata e afeito a homicídios em série. E numa daqueles noites de outono, o frio não assustava tanto, mas a névoa escondia os mistérios de uivos de cães e coiotes, que nas comeeiras das colinas pediam clemência aos deuses da natureza. Além disso, chovia em mansidão de mães que entoavam velhas cantigas de niná para que seus infantes domissem. Esse cenário motivou o assassino a mercadejar a morte de alguém. Melly, fora a escolhida. Estava atenta, ante pressentir a sombra que suponha tenha adentrado em sua casa, armara-se e num piscar de olhos, a fera humana saltara sobre sí, disparara a arma a anfitriã. Corpo estendido, naquela tenda urbana, onde servira tantos anos de palco para o preparo de suas lições.

O outono se consumira, viera o inverno. certa manhã a segunda noz quebrara a vidraça novamente. Era o mestiço de olhos castanhos e amendoados, tinha uma ancestralidade com os primos-irmãos de Nuvem Vermelha, e o nominavam de Brian, (braian). Desta feita os olhares encontraram um ponto comum de convergência. Melly, na ante-sala de ser acusada de matar alguém, não importava as circunstâncias, teria que se explicar. O corpo jazia inerte numa sarjeta em fenda de rochedo profunda, mas, estava lá. Todas as manhãs Melly e Brian, visitavam aquele cenário. Melly, de olhos azuis-safira, não conseguia esconder a profunda melancolia que lhe tomava conta. Brian, indagava de sí e de sua interlocutora, o porque daquele estado de eterna reflexão de mudez. Melly, tinha a mente focada no botão alto-relevo que o agressor que matara, havia arrancado do seu sobretudo quando avançara para agarrá-la, isso era uma prova indestrutível.

Contara a verdade. Brian entendera que sua missão terminara. O homem que procurava, o psicopata e homicida em série de mulheres da sua jurisdição, que usava agasalho, pois, so saia quando a chuva caía, estava morto, era realmente o "PASSAGEIRO DA CHUVA", só lhe restava compor o sobretudo de Melly, como seu eterno confidente e grande amor, guardando o segredo da fêmea de olhos azuis-safira, que lhe encantara.

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