NO CÉU NÃO ENTRA PAGÃO!...

Jair Eloi de Souza*
Naquela tosca cabana, ouvi a velha canção,
Vi os povos do Sertão entoando seu passado,
O gemido da viola, convocando uma nação,
A chuva era pouca, fina, quão chuvisco coado.

Rezadeiras em ladainhas, curando velhos "oiados",
Carpideiras do além e sós, pranteando o falecido,
O corpo envolta em mortalha, estirado no tablado,
De repente a assombração, o morto teria gemido.

Em breve interpretação, seria um homem pagão?
Uma criança sem Deus, não fora à pia batismal?
Do gemido veio o choro, um pedido em rezação,
Pra curar aquele homem, o recurso era missal.

Passadas as correrias, do fato mal assombrado,
Compareceu o beato, um rosário em suas mãos,
O canto das incelências, depois o terço rezado,
à tenda voltou o silêncio, e o corpo encomendado.

*Professor de Direito que rabisca o Sertão.

0 Comments:

Postar um comentário