No princípio era uma casa de taipa. No copiar, uma sala pequena, onde
albergava uma mesa rústica e alguns tamboretes. O alpendre. Ah!... o
alpendre? Sim, uma latada de ramas de oiticica sobre varal de pereiro da
caatinga. Os bancos, alguns blocos de pedra, de faces irregulares, onde
aparentemente sentávamos de soslaio, para a confecção dos trabalhos.
Iniciação pelas vogais, cobrindo-as com a
nossa tosca aptidão. Passo seguinte, a reprodução dessas letras,
depois, o alfabeto completo. Etapas seguintes, as sílabas, palavras, os
parágrafos, para no final, o desafio da redação. Nasce o escritor com a
primeira dissertação. Nessa fase, ainda sem ler nenhuma obra literária,
seja parnasiana, romântica, realista ou moderna. Começa o fetiche pelas
cores, formas, pelo conjunto cênico que se apresenta. Nos Sertões do
Seridó era assim. Mestre Escola, "argumentos" (sabatina) e a ordem
mantida pela autoridade com a utilização da palmatória. O núcleo de
desasnar era nas sedes das fazendas, vilas, povoados e nas periferia
das cidades. Coincidentemente esse foi o modelo da minha escola, cuja
professora, era Bárbara Rodrigues, a quem faço a minha grata homenagem, "Im memoriam", pois, já falecida no Rio de Janeiro.
Havia em tempos idos, no Sertão de antanho, uma outra metodologia nos núcleos do criatório. De cunho informal, sob a forma de conversação, cantos, ladainhas, loas, benditos, rezas, incelenças, canções, toadas. Era a estação da oralidade. Que podia ocorrer a qualquer hora. No entanto, a hora mais frequente, era o tempo que medeiava entre a hora do Ângelo e a última refeição, a ceia noturna. Nessa estação, tomou-se conhecimento do "Pavão Misterioso"... que levantou vôo da Grécia. A Donzela Teodora. A Princesa Megalona, versa brasileira; Os Doze Pares de França; Um conto do "Decamerom" no Sertão; O histórico desafio de Inácio da Caatingueira e Romano da Mãe D`água (Romano do Teixeira), marco inicial da cantoria de Viola; relatava-se a verve de cantadores de viola que decantavam os heróis do Sertão: As façanhas do cabras onceiros (Cazuza Sátiro), os Valões no Pajéu; Os valentões (espécie de reparadores da honra alheia -Justiceiros), o perfil de homens de carácter do passado; Nesta escola a minha homenagem neste dia é para o Professor Luiz da Câmara Cascudo, Também "Im memoriam", com o qual passei algumas manhãs, na Av. Junqueira Aires, Natal, contando as coisas mais recentes do meu Sertão, e o "matando de saudade", pois, esteve aqui neste solo quando criança, na cidade de Campo Grande, para curar "um puxado-tosse braba", por um período de um ano, e jamais esqueceu dos trópicos sertanejos.
Não deixaria de fora desta homenagem: Dona Dadá, Dona Branquinha, Dona Dorila, Dona Maria Luíza, (sei que é muita Dona, para o leitor, Mas pra mim é pouco), e José Henrique de Araújo. Dona Lenilde, Osa e Carmita (Pombal/PB). João Bangu, Dona Mirtila, Dona Iracema, Afra Góis. E confesso, a nossa Madre Tereza de Calcutá: Maria Calixto. A quem dedico de forma reiterativa, a já consagrada: "O Outono da Cerejeira".
Por últimos, os maiores Mestres na minha vida: Luiz Eloi de Souza e Maria Elvira de Freitas. Ele um poeta de Fino trato; Ela que me ensinava os deveres de casa. Fez discurso de saudação ao primeiro Bispo que visitou Jardim de Piranhas, Dom Delgado. E finalmente, "Um Velho Matuto Cantador de Histórias, Chico Eloi", nome de minha primeira obra, já publicada em retalhos (Diário de Natal – coluna da cultura para o Seridó - anos 2007, 2008 e 2009.
Com estima aos que esqueci. Estou na ante sala da velhice, o pecado é venial.
Havia em tempos idos, no Sertão de antanho, uma outra metodologia nos núcleos do criatório. De cunho informal, sob a forma de conversação, cantos, ladainhas, loas, benditos, rezas, incelenças, canções, toadas. Era a estação da oralidade. Que podia ocorrer a qualquer hora. No entanto, a hora mais frequente, era o tempo que medeiava entre a hora do Ângelo e a última refeição, a ceia noturna. Nessa estação, tomou-se conhecimento do "Pavão Misterioso"... que levantou vôo da Grécia. A Donzela Teodora. A Princesa Megalona, versa brasileira; Os Doze Pares de França; Um conto do "Decamerom" no Sertão; O histórico desafio de Inácio da Caatingueira e Romano da Mãe D`água (Romano do Teixeira), marco inicial da cantoria de Viola; relatava-se a verve de cantadores de viola que decantavam os heróis do Sertão: As façanhas do cabras onceiros (Cazuza Sátiro), os Valões no Pajéu; Os valentões (espécie de reparadores da honra alheia -Justiceiros), o perfil de homens de carácter do passado; Nesta escola a minha homenagem neste dia é para o Professor Luiz da Câmara Cascudo, Também "Im memoriam", com o qual passei algumas manhãs, na Av. Junqueira Aires, Natal, contando as coisas mais recentes do meu Sertão, e o "matando de saudade", pois, esteve aqui neste solo quando criança, na cidade de Campo Grande, para curar "um puxado-tosse braba", por um período de um ano, e jamais esqueceu dos trópicos sertanejos.
Não deixaria de fora desta homenagem: Dona Dadá, Dona Branquinha, Dona Dorila, Dona Maria Luíza, (sei que é muita Dona, para o leitor, Mas pra mim é pouco), e José Henrique de Araújo. Dona Lenilde, Osa e Carmita (Pombal/PB). João Bangu, Dona Mirtila, Dona Iracema, Afra Góis. E confesso, a nossa Madre Tereza de Calcutá: Maria Calixto. A quem dedico de forma reiterativa, a já consagrada: "O Outono da Cerejeira".
Por últimos, os maiores Mestres na minha vida: Luiz Eloi de Souza e Maria Elvira de Freitas. Ele um poeta de Fino trato; Ela que me ensinava os deveres de casa. Fez discurso de saudação ao primeiro Bispo que visitou Jardim de Piranhas, Dom Delgado. E finalmente, "Um Velho Matuto Cantador de Histórias, Chico Eloi", nome de minha primeira obra, já publicada em retalhos (Diário de Natal – coluna da cultura para o Seridó - anos 2007, 2008 e 2009.
Com estima aos que esqueci. Estou na ante sala da velhice, o pecado é venial.
Fonte: Jair Eloi de Souza

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