MARINHEIRO SALDANHA

MARINHEIRO* SALDANHA,
HISTÓRIAS CONTADAS POR UM VELHO MATUTO COMBOEIRO.

Grassava o ano de 1935. Em plena era da interventoria de Mário Câmara, caudilho nanico, um sátrapa na província Potiguar a serviço da truculência getulista. Ano de eleição para preenchimento de cadeiras legislativas. O Seridó estava contido na jurisdição da 2ª Região Eleitoral. Era nela que militavam politicamente José Augusto de Medeiros, Dinarte de Medeiros Mariz e à distância Juvenal Lamartine que sofria os reveses da ditadura exilado, na pessoa de seu filho Otávio Lamartine, jovem promissor que fora assassinado naquele fatídico ano na fazenda ingá, (Acari), de mando do Tenente Oscar Mateus Rangel, então Delegado Regional, cuja missão in glória era inibir as forças contrárias a situação. O Seridó vigiadíssimo por se tratar de feudo eleitoral dos denominados democratas, por terem governado de l924 a l928 com José Augusto e de 1928 a 1930, com Juvenal Lamartine, apeado do poder pela revolução, portanto, hostil e uma verdadeira cidadela de resistência às práticas não recomendáveis de Getúlio.
No dia do pleito, na tentativa de cercear a liberdade de votação na 2ª Região, o famigerado Delegado, prende Deroce Mariz, Artéfio Bezerra, e monta guarda na entrada da cidade do Caicó e nas secções de recolhimento dos votos, estava criando todo tipo de embaraço para haver uma anormalidade, pois, sabidamente o governo getulista seria derrotado, como efetivamente foi. Por solicitação de Dinarte, Marinheiro Saldanha, na condição de correligionário dos Governantes, Getúlio, na esfera central e Mário Câmara na província, vem fazer as vezes de observador. Presenciando as atitudes truculentas do tenente Rangel para com a própria família de Dinarte. Chama-o para uma conversa a dois, e o intima a evacuar as tropas do local.
Pois, bem, Marinheiro era a figura do Líder supra partidário, de boa convivência com os adversários. Além de um grande empreendedor no ramo da indústria de beneficiamento de algodão, grande criador de gado vacum. E sobretudo o grande cuidado que tinha para com Jardim. A parte planejada da cidade, foi iniciada por ele, quando construiu o mercado da Dix-sept-Rosado, e financiou a transferência dos comerciantes da rua Velha para a recém construída quadra da Rua Nova. Foi Suplente de Sanador, condição que assumiria o mandato por falecimento do seu titular. Não renunciou a convivência com a província e declinou da assunção do mandato senatorial.
O Velho Marinheiro pertence a Saga dos Dantas do Teixeira. Clã que tem suas ramificações com os Dantas do Seridó. Hoje, é o natalício de morte, pois, deu-se no ano de l959, na condição de Prefeito Municipal.
MARINHEIRO*: Empreendedor branco, galego, vindo das terras ultramarinas. Esse era o nome atribuído ao fundador de Fazenda pra criatório nas terras do Seridó de antanho.
Essas histórias são de lavra de meu avô paterno, Francisco Eloi de Souza, grande condutor do rebanho de Marinheiro nos anos de magrém (ano de seca), de quem era tangirino-mor, também relatadas na obra "História de uma Campanha", de Edgar Barbosa, um velho professor desse escriba na UFRN, na década de 70.
Fonte: Jair Eloi de Souza 

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