Último
dia da viagem do Papa Francisco no México. Na manhã deste dia 17 de
fevereiro, às 10,30 horas locais, o Papa Francisco realizou uma visitou
ao Centro de readaptação social (Centro carcerário) da cidade de Juárez.
No seu breve discurso, Francisco iniciou
por dizer aos presentes que não queria concluir a sua viagem apostólica
ao México e ir embora sem saudá-los, sem celebrar o Jubileu da
Misericórdia com eles. E acrescentou:
<>.
Durante
a viagem à África, na cidade de Bangui, prosseguiu o Santo Padre pude
abrir a primeira Porta da Misericórdia para o mundo inteiro. Hoje, no
vosso meio e convosco, quero reafirmar uma vez mais a confiança a que
Jesus nos impele: a misericórdia que abraça a todos, em todos os cantos
da terra. Não há lugar onde a sua misericórdia não possa chegar, não há
espaço nem pessoa que ela não possa tocar.
Por conseguinte,
celebrar o Jubileu da Misericórdia convosco, salientou Francisco, é
lembrar o caminho que devemos urgentemente empreender para romper o
ciclo vicioso da violência e da delinquência. Já se perderam várias
décadas pensando e crendo que tudo se resolve isolando, separando,
encarcerando, livrando-nos dos problemas, acreditando que estas medidas
resolvem verdadeiramente os problemas. Esquecemo-nos de concentrar-nos
naquilo que realmente deve ser a nossa preocupação: a vida das pessoas;
as suas vidas, as das suas famílias, as daqueles que também sofreram por
causa deste ciclo vicioso da violência.
<>.
E
Francisco reiterou que a misericórdia lembra-nos que a reinserção não
começa aqui dentro destes muros; começa antes, começa lá fora nas ruas
da cidade. A reinserção ou reabilitação começa criando um sistema que
poderíamos chamar de saúde social, isto é, uma sociedade que procure não
adoecer contaminando as relações no bairro, nas escolas, nas praças,
nas ruas, nos lares, em todo o espectro social. Um sistema de saúde
social que vise gerar uma cultura que seja eficaz procurando prevenir
aquelas situações, aqueles caminhos que acabam por ferir e deteriorar o
tecido social.
Às
vezes, prosseguiu o Papa, parece que as prisões se proponham mais
colocar as pessoas em condição de continuar a cometer delitos do que
promover processos de reabilitação que permitam enfrentar os problemas
sociais, psicológicos e familiares que levaram uma pessoa a determinada
atitude. O problema da segurança não se resolve apenas encarcerando, mas
é um apelo a intervir para enfrentar as causas estruturais e culturais
da insegurança que afetam todo o tecido social.
A preocupação de Jesus pelos famintos, os sedentos, os sem abrigo
ou os presos (Mt 25, 34-40) pretendia expressar as entranhas de
misericórdia do Pai, que se tornam um imperativo moral para toda a
sociedade que deseje possuir as condições necessárias para uma
convivência melhor. Daí que, sublinhou Francisco, << na capacidade
que uma sociedade tem de integrar os seus pobres, doentes ou presos,
reside a possibilidade de estes curarem as suas feridas e serem
construtores duma boa convivência. A reinserção social começa com a
frequência da escola por todos os nossos filhos e com um emprego digno
para as suas famílias, com a criação de espaços públicos para os tempos
livres e a recreação, com a habilitação das instâncias de participação
cívica, os serviços de saúde, o acesso aos serviços básicos… para citar
apenas algumas medidas>>.
Celebrar
o Jubileu da Misericórdia convosco é portanto, sublinhou o Papa,
aprender a não ficar prisioneiros do passado, de ontem; é aprender a
abrir a porta para o futuro, para o amanhã; é acreditar que as coisas
podem tomar outro rumo. Celebrar o Jubileu da Misericórdia convosco é
convidar-vos a levantar a cabeça e empenhar-vos para obter o tão ansiado
espaço de liberdade, disse.
<> concluiu dizendo Francisco.
As últimas palavras foram de encorajamento, foram dirigidas ao pessoal que trabalha neste Centro ou noutros semelhantes: os diretores,
os agentes da Polícia penitenciária, todos os que realizam qualquer
tipo de assistência neste Centro. Agradeço, disse o Santo Padre, o
esforço dos capelães, das pessoas consagradas e dos leigos que se
dedicam a manter viva a esperança do Evangelho da Misericórdia na
prisão. Todos vós – não vos esqueçais! – podeis ser sinal das entranhas
de misericórdia do Pai. Precisamos uns dos outros para continuar em
frente. (FL)

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