Entrevistada nesta quarta-feira (29) pelo jornalista Kennedy Alencar,
para o SBT Brasil, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o presidente
afastado da Câmara, Eduardo Cunha é uma "ameaça integral" para o
presidente interino Michel Temer.
"É uma ameaça integral, em todos os sentidos", diz ela.
Na entrevista, Dilma falou sobre a atual situação política e
econômica do país, o seu governo, o processo de impeachment no Senado,
uma possível volta ao cargo, entre outros assuntos.
Dilma avaliou ainda que, se Cunha tivesse sido afastado pelo Supremo
Tribunal Federal (STF) antes de 17 de abril, teria sido mais difícil
Câmara aprovar pedido de impeachment. Ela avisa que irá recorrer ao
Supremo, caso o impeachment seja aprovado e diz que apoia o projeto de
plebiscito para antecipar as eleições.
Abaixo os principais trechos da entrevista:
"A batalha do impeachment não é só política. É também jurídica. A
perícia feita pela comissão do Senado constata que não há minha
participação no Plano Safra e não teve qualquer irregularidade minha nas
pedaladas fiscais. A conclusão é que, de fato, não se pode falar em
crime de responsabilidade. Primeiro reforço o caminho para o Senado.
Estamos defendendo que há um golpe. Depois há outra batalha no Supremo,
que é a última instância";
"Hoje está sendo discutido se haverá proposta de plebiscito. A
proposta tem que ser de um terço da Câmara e do Senado. O que é
importante para mim é manter a unidade dos que me apoiam. São
parlamentares, movimentos sociais, intelectuais, que têm opiniões
diferentes. Se os 27 senadores propuserem isso para mim vou endossar.
Mas eu não vou tomar essa iniciativa, como sendo minha. Em qualquer
hipótese, para se afirmar a democracia, passa por um requisito: a minha
volta à Presidência da República, com plenos direitos";
"Tanto os senadores que me apoiam, a Frente Brasil Popular e o
Movimento Povo Sem Medo e o meu staff, nós estamos avaliando uma carta
de compromisso à Nação. Primeiro compromisso é com a democracia. O
segundo compromisso é devolver os direitos que estão retirando. Um
exemplo é o reajuste do Bolsa Família. Depois de muito insistirmos, eles
deram hoje";
"Fotografia histórica do governo Dilma é tirar o Brasil do mapa da fome e ter tirado a população da miséria extrema"
"Eu gostaria de comparecer às Olimpíadas. Eu fiz as tratativas, os
preparativos, depois as obras. Eu me sinto a mãe. E o Lula é o pai, ele
arrancou as Olimpíadas de muitos países. Se eu fosse a presidente em
exercício, Lula estaria";
"Quem é o informante de dentro do processo de delação de Marcelo
Odebrecht? Eu paguei para o João Santana R$ 70 milhões. O meu adversário
gastou a metade. Porque eu teria que pagar a mais por caixa 2?";
"Decisão do Supremo foi muito prudente e firme" (sobre a decisão de soltar Paulo Bernardo pelo ministro Dias Toffoli);
"Sérgio Moro cometeu uma grande irregularidade ao vazar o áudio da presidente"
"Pelo menos, criaria um clima muito ruim para este processo de
impeachment. O Cunha aceitou este processo como uma vingança. Foi um
claro desvio de poder" (se o julgamento de Cunha pelo Supremo tivesse
sido antes do julgamento do impeachment pela Câmara)
"Cunha foi visitar o presidente interino, provisório. Não trataram de futebol, certamente";
"O Cunha é uma ameaça integral [ao governo Temer], em todos os sentidos".

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