O Tribunal de Contas da União (TCU) deve dar hoje o quarto aval para o
presidente interino, Michel Temer, editar medida provisória (MP)
autorizando gastos extras. O aval pode levar a uma revisão sobre
irregularidades na edição desse tipo de medida pela presidente Dilma
Rousseff.
Ministros do TCU tem questionado não haver diferença substancial
entre as medidas provisórias editadas por Dilma e as que o governo Temer
defende. Pelo menos três ministros entendem ser uma fragilidade
considerar o uso desse instrumento como indício de irregularidade no
julgamento das contas de 2015 da presidente afastada, segundo reportagem
de Vinicius Sassine.
Em 15 de junho, o plenário do TCU deu 30 dias para Dilma explicar 23
indícios de irregularidades, dos quais cinco estão associados à edição
de quatro medidas provisórias que criaram gastos extras de R$ 49,6
bilhões sem levar em conta critérios de urgência e imprevisibilidade.
Depois do episódio, o governo Temer passou a pedir o aval do tribunal
para assinar medidas provisórias que liberaram R$ 2,9 bilhões ao
governo do Rio, com foco na Olimpíada; R$ 1,2 bilhão em auxílios nas
taxas de juros de financiamentos do BNDES, situação em que se corria o
risco de repetição da prática das "pedaladas" fiscais; e R$ 353,7
milhões para pagamento de despesas da Justiça do Trabalho.
Em entrevista recente, o ministro Bruno Dantas afirmou que o Tribunal
de Contas da União (TCU) está numa "posição incômoda" por ter que
responder a consultas feitas pela equipe econômica do presidente
interino Michel Temer sobre a liberação de verbas não previstas no
Orçamento.
Para ele, não é papel do órgão dar "conforto prévio" ao governo federal.
"Ter colocado entre os 23 pontos de questionamento à presidente Dilma
Rousseff referente às contas do ano passado a liberação de crédito
extraordinário por MP, nos colocou na posição incômoda de sermos
confrontados, semana após semana, com essa realidade [consultas do
governo]", disse Dantas, em entrevista ao G1.
"Ao sugerir que a liberação de crédito por medida provisória fora das
hipóteses constitucionais é motivo de rejeição de contas, criamos no
governo uma insegurança tremenda para governar. Governar é administrar
recursos escassos, e o tribunal não pode ficar dando conforto prévio
para o governo tomar decisões", acrescentou.

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