O golpe turco era muito mais ameaçador que o brasileiro.
O golpe turco veio com tanques nas ruas, helicópteros sobrevoando a capital, militares ocupando o aeroporto e a TV estatal.
Estava se desenrolando um golpe de estado clássico, provocando temor na Turquia e nos países vizinhos.
A democracia estava sendo ameaçada por um grupo de militares, sem que se soubesse a sua extensão.
Até mesmo o poderoso Putin absteve-se de dizer alguma coisa, à espera dos desdobramentos.
Analistas já preparavam arrazoados acerca do futuro do mundo se o governo democrático de Erdogan caísse.
Teoricamente acuado, Erdogan lançou um comunicado nas redes sociais ao povo turco: vão para as ruas.
Parecia loucura. Na rua estavam os tanques, os soldados em uniformes de guerra, apoiados por helicópteros.
No entanto, o povo atendeu ao apelo de seu presidente. As pessoas foram às ruas armados somente com seus celulares.
Ao contrário do esperado, os civis
não foram metralhados pelos revoltosos. O que se viu foram cenas
inéditas, pessoas barrando o avanço dos tanques porque não havia espaço
na avenida para o tanque passar e pedindo, sem violência, que os tanques
voltassem.
Foi inédito porque nem os tanques dispararam nem os civis os apedrejaram.
As ruas foram invadidas por carros
abertos nos quais os passageiros carregavam orgulhosamente bandeiras
nacionais. Soldados começaram a ser presos por policiais. A TV estatal e
o aeroporto foram desocupados.
Não foi um movimento totalmente sem
sangue, 179 mortes foram contabilizadas, mas perto do que se temia foi
um resultado alvissareiro.
Quem assistiu aos acontecimentos
pelas TVs da Europa deve ter ficado estupefato: como é que o povo turco
aborta um golpe sob ameaça de armas e o povo brasileiro não consegue
abortar um golpe sem tanques, sem helicópteros e sem soldados, comandado
por um grupo de políticos decadentes e fichas-sujas?
O que os turcos têm que os brasileiros não têm?

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