Dois brasis confrontaram-se neste
domingo (31) nas ruas das capitais do país. Duas propostas de nação
postaram-se na trincheira dos protestos: uma que defende a legalidade e
que teme pelo futuro da democracia; outra que afasta um presidente
legitimamente eleito, sem crime, e que promove uma patética e perigosa
apologia da ditadura militar.
São Paulo foi palco de cabal
demonstração da divisão que o país vive. De um lado, no Largo da Batata,
40 mil sem-terra, sem-teto, operários, cotistas; de outro, na Paulista,
5 mil tementes de se tornarem sem-Disney, sem-carro-do-ano, a Fiesp, os
nostálgicos do ideário dos coturnos.
O afastamento de Dilma Rousseff (PT)
e a ascensão do interino Michel Temer acabou por jogar luz sobre o
projeto daqueles que foram às ruas nas manifestações pretéritas. É o
Brasil dos privilégios, que concede reajustes a categorias remediadas do
funcionalismo, que intenta acobertar a corrupção, que espolia o
patrimônio nacional, as reservas do pré-sal, em benefício de interesses
estrangeiros.
Há na interinidade um notório
retrocesso em garantias sociais. O Brasil conservador está tão assanhado
que chegou-se ao absurdo de propor uma jornada de trabalho de 80 horas
semanais. Mas nem isso foi capaz de arrefecer o ânimo golpista dos
canarinhos.
Pois foi contra a supressão dessas
conquistas que o Brasil progressista foi ao Largo da Batata, contra a
reforma trabalhista que privilegia o pato da Paulista; contra os cortes
no Bolsa Família, que a revelia das distorções, salva da fome milhões.
Saiu também às ruas contra a
misoginia ministerial, contra a cultura do estupro de Alexandre Frota e
de Jair Bolsonaro; contra a ascendência reacionária cristã que ofende a
sociedade com uma proposta de cura gay.

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