Neste noite, milhares de pessoas
saíram em marcha do Largo da Batata, em São Paulo, para o Alto de
Pinheiros, para mais um protesto. Desta vez, diante da casa de Michel
Temer, em São Paulo.
Na capital paulista, os protestos
foram diários, desde que o Senado confirmou o afastamento definitivo da
presidente Dilma Rousseff, no último dia 31 de agosto, num processo
visto pelo mundo como um golpe parlamentar que igualou o Brasil a países
de democracias frágeis, como Honduras e Paraguai.
Assim como em São Paulo, os
protestos que pedem a saída de Temer têm ocorrido em praticamente todo o
País. No 7 de setembro, as manifestações realizadas em 24 estados e no
Distrito Federal reuniram praticamente 200 mil pessoas.
Até agora, a demanda principal tem
sido a reconquista da democracia, com o respeito ao voto popular,
reforma política e Diretas Já.
No entanto, as ruas devem ganhar
novos ingredientes nos próximos dias. Nesta quinta-feira, veio a público
um dos pontos da reforma trabalhista de Temer, que prevê 12 horas de
trabalho/dia, no lugar da atual jornada de 8 horas (saiba mais aqui).
Além disso, até o fim do mês, será enviada ao Congresso a proposta de
reforma da Previdência, que prevê idade mínima de 65 anos para
aposentadoria.
Na prática, Temer já é um presidente
extremamente impopular, visto como ilegítimo pela maioria da população,
e que coloca em marcha uma agenda econômica que pede ao povo que
trabalhe mais e ganhe menos. Ou seja: a combinação perfeita para que ele
se torne ainda menos popular.
Se o caldo social já havia entornado
com a agressão à democracia, a tendência é que a tensão se torne ainda
maior, a partir de agora. Às reivindicações políticas se somarão
protestos contra a eliminação de direitos e conquistas trabalhistas. Ou
seja: ninguém contribui tanto para o Fora Temer quanto o próprio governo
Temer.

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