SP 247 – Na decisão em que liberou o grupo de manifestantes presos (confira aqui)
pela Polícia Militar neste domingo 5 antes de começar o protesto contra
Michel Temer e em defesa de eleições presidenciais já, o juiz Rodrigo
Tellini, do Foro Central Criminal da Barra Funda, considerou as prisões
ilegais e lamentou o atual momento político.
"Vivemos dias tristes para nossa democracia. Triste do país que seus
cidadãos precisam aguentar tudo de boca fechada. Triste é viver em um
país que a gente não pode se manifestar", declarou, no despacho. O grupo
ficou mais de 24 horas detido sob a acusação de "associação criminosa e
corrupção de menores".
A Defensoria Pública e o Ministério Público solicitaram a apuração de
violência policial. Duas pessoas relatam que policiais forjaram a
apreensão de objetos, o que também deverá ser investigado. Foram
liberados hoje 19 adultos do total de 27 manifestantes detidos antes do
protesto. Outros oito menores de idade detidos irão responder por ato
infracional. Eles serão ouvidos pela Justiça no Fórum do Brás.
Versão da PM
Em coletiva de imprensa, o coronel Dimitrios Fiskatoris, responsável
pela operação, afirmou que os jovens "declararam que estavam reunidos
para praticar atos de desordem na cidade". "Eu tenho registro da
declaração deles dizendo que faziam parte de um grupo que estava reunido
para praticar atos de desordem na cidade e que eram parte de várias
células que estavam espalhadas pela cidade", declarou.
Fotos divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública do Estado dos
supostos pertences dos manifestantes mostram estilingue, pedras,
garrafas com líquido não identificado – a mãe de um deles afirmou ser
vinagre,para se proteger do gás da PM – celulares e chaves. Há ainda
máscaras e kit de primeiros socorros. A PM afirmou haver também uma
barra de ferro, que não foi mostrada nas fotos.
Na delegacia, advogados acusaram os policiais de cometerem abusos,
como o impedimento da comunicação entre os presos a advogados e entre os
presos e seus familiares. Eles foram obrigados a prestar depoimentos
sem a presença de seus defensores.

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