O ex-presidente da construtora Andrade Gutierrez, Otávio Marques de
Azevedo, prestou um novo depoimento ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
nesta quinta-feira (17) e mudou a versão dada anteriormente: agora ele
afirma que não houve propina para a campanha de Dilma Rousseff e Michel
Temer em 2014. Em seu primeiro depoimento, Marques de Azevedo havia dito
que entregou propina de R$ 1 milhão para a campanha petista. A defesa
de Dilma, porém, mostrou provas de que o suposto "cheque da propina" na
verdade havia sido entregue a Michel Temer.
Confira reportagem da Agência Brasil sobre o assunto:
André Richter - Repórter da Agência Brasil
O empreiteiro Otávio Marques de Azevedo, um dos delatores da Operação
Lava Jato, disse hoje (17) em depoimento ao Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) que não houve doação eleitoral em forma de propina para a chapa
da campanha presidencial Dilma-Temer de 2014. Azevedo é ex-presidente da
Andrade Gutierrez.
Segundo advogados que presenciaram a audiência, Azevedo retificou
depoimento prestado anteriormente no qual confirmou os repasses em forma
de propina para os comitês da ex-presidenta Dilma e do então vice,
Michel Temer.
O delator foi chamado a depor novamente na Justiça Eleitoral por
determinação do ministro Herman Benjamim, que atendeu pedido feito pelos
advogados da campanha de Dilma.
Os defensores afirmaram ao TSE que cerca de R$ 1 milhão, valor que
teria sido recebido de propina pela empreiteira e repassado como doação
de campanha, foram transferidos em julho de 2014 para o diretório
nacional do PMDB, e não do PT, como disse Azevedo em um primeiro
depoimento.
"Foi um depoimento de retificação em que ele apresentou a nova versão
dizendo que se equivocou em relação ao primeiro depoimento e que, ao
contrário do que disse, não houve da Andrade Gutierrez, nenhum valor de
propina para a campanha presidencial de 2014." disse Guedes.
O advogado da campanha de Dilma, Flávio Caetano, também confirmou que
Otávio de Azevedo reconheceu que "não houve nenhuma propina e nenhuma
irregularidade na campanha de Dilma e de Temer".
"Dos 25 testemunhos de acusação, era o único que tinha dito que tinha
alguma irregularidade na campanha. Hoje cai por terra toda e qualquer
acusação de irregularidade na arrecadação da campanha de Dilma e Michel
Temer", afirmou Caetano.
Após o depoimento, que durou cerca de duas horas nesta noite, Azevedo
foi abordado pela imprensa e evitou fazer comentários sobre seu
depoimento, mas disse que está "tranquilo".
"Da minha parte estou bastante tranquilo, como vejo que tem que ser.
Vamos continuar olhando para a frente. Olhando para essa caminhada para a
frente".
Em dezembro de 2014, as contas da campanha de Dilma e do então
vice-presidente Michel Temer foram aprovadas, por unanimidade, no TSE.
No entanto, o PSDB questionou a aprovação por avaliar que havia
irregularidades nas prestações de contas apresentadas por Dilma, como
doações suspeitas de empreiteiras. Conforme entendimento atual do
tribunal, a prestação contábil da chapa é julgada em conjunto.

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