Por Rodrigo Gomes, da Rede Brasil Atual
Com a Praça da Sé, na região central de São Paulo, totalmente
ocupada, no início da noite de ontem (11), a presidenta da União
Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes, reagiu a
comentário do presidente Michel Temer, para quem os alunos podem nem
saber o que é uma proposta de emenda à Constituição (PEC). "Temer, os
estudantes estão indo pra Brasília e vão ocupar as escolas e a cidade
contra sua política que pretende destruir o país. Não vai ter limites
para a luta dos estudantes, vamos ocupar tudo", afirmou Camila, quase ao
encerramento do ato. Durante todo o dia, manifestantes protestaram em
todo o país contra a PEC 55, de controle de gastos públicos, e contra a
Medida Provisória (MP) 746, de reforma do ensino médio.
O presidente da CUT, Vagner Freitas, disse que as manifestações podem
se ampliar. Ele também se dirigiu a Temer. "Se você estiver ouvindo,
porque você se acha muito importante, saiba que você é um golpista e não
tem de dar opinião na luta dos estudantes ou dos trabalhadores. Se
acabar com a CLT, ampliar a terceirização e outras medidas, nós vamos
fazer a maior greve geral que este país já viu", afirmou.
Freitas ainda destacou a luta dos estudantes, que ocupam escolas e
universidades pelo país, como a força que "não vai deixar o Brasil
retroceder". E lembrou o legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da
Silva: "Tem gente que acha que se prender o Lula vai resolver os
problemas. Se prender o Lula, vai chamar a gente pra briga e vai ter
muita luta", avisou.
Para o dirigente, a manifestação de hoje foi superior à de 22 de
setembro e foi um bom "aquecimento" para uma possível greve geral. "O
Temer deveria ver esse dia como um alerta de que essas propostas de
retirada de direitos são extremamente impopulares e os trabalhadores vão
se manifestar contra elas."
A coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Natália
Szermeta lembrou que "a luta contra a PEC 55 é uma luta de todos que
defendem um Brasil mais justo, com saúde e educação para todos". Já
aprovada na Câmara como 241, a PEC tramita agora no Senado – já foi
aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e passará por duas
votações no plenário.
O recado está dado, avaliou o presidente da CTB, Adilson Araújo.
"Querem impor uma receita neoliberal que vai destruir o país. O
Congresso e o Supremo Tribunal Federal estão juntos para golpear os
trabalhadores, com terceirização, negociado sobre legislado etc. Mas
aqui estão aqueles que não vão deixar isso acontecer", afirmou.

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