O Brasil vive a maior recessão de
sua história, a equipe econômica vem sendo cobrada a lançar medidas de
estímulo à economia, mas o Banco do Brasil não participará deste
esforço.
Sob o comando de Paulo Cafferelli, o
banco anunciou um plano de reestruturação que prevê o fechamento de 14%
das agências, a demissão de mais de 9 mil funcionários e economias de
R$ 750 milhões.
Na reformulação, 781 agências de um
total de 5.430 deixarão de existir. Dos pontos fechados, 379 serão
convertidos em postos de atendimentos.
Em seu comunicado ao mercado, o
banco diz que a rede será adequada "ao novo perfil e comportamento dos
clientes", que seria mais digital.
Com a reforma, o Banco do Brasil terá menos agências do que o Bradesco, um de seus principais concorrentes.
Leia, abaixo, reportagem da Reuters:
Por Aluísio Alves
SÃO PAULO (Reuters) -
O Banco do Brasil anunciou neste domingo um amplo pacote de medidas
destinado a reduzir custos, incluindo um plano de aposentadoria
incentivada e fechamento de agências, enquanto luta para elevar sua
rentabilidade, que tem caído pela combinação de crédito em queda e
aumento de perdas com inadimplência.
O programa, que será implementado em
2017, tem como objetivo gerar economias de 750 milhões de reais por ano
só com a revisão da estrutura administrativa e redução de gastos com
transporte de valores, segurança, locação e condomínios, manutenção de
imóveis, afirmou o banco em nota à imprensa.
Além disso, o plano de aposentadoria
incentivada pretende reduzir 9.072 postos de trabalho, de um público
elegível - que já reúne as condições para se aposentar --de 18 mil
funcionários. No fim de setembro, o BB tinha 109.159 empregados.
Para incentivar a adesão, o banco
vai oferecer valor correspondente a 12 salários, além de indenização por
tempo de serviço, que varia de 1 a 3 salários, dependendo do tempo de
empresa. O período de adesão ao plano vai até 9 de dezembro. Depois
disso, o banco vai divulgar o impacto financeiro do plano.
O BB também vai oferecer redução de
jornada de 8 para 6 horas diárias a 6 mil assessores da direção geral e
superintendências, com objetivo de diminuir em 16,25 por cento o salário
médio.
Como parte desse processo, o BB vai
encerrar 31 superintendências regionais, 402 agências e transformar
outras 379 em postos de atendimento. Em outubro, o BB já havia iniciado o
fechamento de outras 51 agências.
Três unidades estratégicas serão fechadas e as funções transferidas para outras diretorias, mas o BB não detalhou quais.
Simultaneamente ao processo de
redução de agências, o banco pretende abrir 255 unidades de atendimento
digital em 2017. Com isso, o banco espera elevar dos atuais 1,3 milhão
para 4 milhões o número de clientes atendidos por esse canal até o fim
do ano que vem.
EM BUSCA DA RENTABILIDADE
Como resultado da malsucedida
campanha do governo federal de usar os bancos públicos para ampliar a
oferta de crédito na tentativa de reanimar a economia, o BB tem agora
enfrentado perdas crescentes com calotes.
A rentabilidade do BB sobre o
patrimônio, que mede como os bancos remuneram o capital do acionista,
foi de 9,6 por cento no terceiro trimestre, queda de 4,6 pontos
percentuais sobre mesma etapa do ano passado. Assim, o BB piorou pela
segunda vez no ano a previsão de rentabilidade em 2016, de 9 a 12 por
cento para 8 a 10 por cento.
Para comparação, o índice do
Bradesco no terceiro trimestre foi de 17,6 por cento, enquanto o do Itaú
Unibanco chegou a 19,9 por cento.
"Não estamos satisfeitos com a
rentabilidade que temos hoje", disse dias atrás o diretor financeiro e
de relações com investidores do banco, Maurício Coelho, ao comentar os
resultados do terceiro trimestre. “Nossa meta é nos aproximarmos de
índices de rentabilidade mais próximos aos de nosso rivais privados".

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