A tentativa de mudanças na legislação que rege a Previdência
Social será o foco da disputa política em 2018, se configurando como
ponto central da possível perda de mais direitos dos trabalhadores.
É o que aponta João Paulo, da direção nacional do Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). "O governo golpista tem três
grandes frentes de ação que ele deve intensificar: é o tema das vendas
dos artigos públicos do estado, ou seja, o processo de privatizações.
Segundo, a retirada de direitos, em especial o tema da reforma da
previdência, que será o ponto central. E, por último, o ajuste das
contas públicas que é basicamente o corte dos serviços públicos que deve
ampliar para as áreas de saúde e educação, já que as demais áreas já
foram afetadas", disse.
A redução da maioridade penal, a restrição ao aborto e o
sucateamento de serviços de amparo à violência doméstica e sexual, bem
como o porte de armas e a demarcação de terras indígenas e quilombolas
são outros temas que vão ser pautas no Congresso Nacional.
Luciana Araújo, jornalista e militante da Marcha das
Mulheres Negras de São Paulo (MMN-SP), afirma que esse quadro é
principalmente perverso para mulheres. "Se para nós, mulheres negras já é
difícil conseguir a aposentadoria nas regras atuais, levando em conta
que somos a maioria nos empregos precários, sem carteira, no trabalho
domésticos. Então a regra que impõe 40 anos de contribuição será
impossível para qualquer uma de nós atingir o direito à aposentadoria",
pontua.
Além disso, Araújo destaca os retrocessos eminentes com
relação a pauta das mulheres com o presente sucateamento dos serviços de
atendimento em situação de violência e a questão do aborto.
As privatizações também serão tema de destaque para o ano de
2018. Sonia Mara Maranho, da direção nacional do Movimento de Atingidos
por Barragens (MAB), alerta para projetos que têm como resultado o fim
da soberania nacional. "Se você não tem soberania tudo é privatizado e
terceirizado, tudo é tirado dos trabalhadores", disse.
Outro ponto citado pelos entrevistados foi a aprovação do
Estatuto de Controle de Armas de Fogo (Lei 3722/12) em substituição ao
Estatuto do Desarmamento. A proposta deve ser votada no início do ano.
Também pronta para ser pautada no Plenário a qualquer
momento está a PEC 215, que pretende transferir para o Congresso a
demarcação de terras tradicionais indígenas e quilombolas. Apenas a
bancada ruralista já propôs 25 Projetos de Lei que ameaçam as demarcação
de terras.

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