247 - Funcionários da Petrobras mostraram-se indignados
com a presença do juiz federal Sergio Moro, convidado a fazer uma
palestra na instituição.
Confira abaixo a nota de repúdio do grupo, assinada por funcionários da ativa e aposentados da estatal:
Manifesto de Repúdio à Presença de Sérgio Moro na Petrobras
A Petrobrás está convidando os empregados para o evento
“Petrobras em Compliance” a ser realizado no dia 08/12, no qual o juiz
federal de primeira instância, Sérgio Moro, responsável por julgamentos
da operação Lava-Jato, irá realizar palestra em virtude do Dia
Internacional de Combate à Corrupção. O fato de ser figura polêmica
conduzindo uma operação questionável em seus objetivos declarados já
configuraria um bom motivo para que a direção da empresa não o
convidasse. Porém, uma vez que os trabalhadores não foram consultados
quanto ao destaque conferido ao juiz nas dependências da empresa, este
manifesto de repúdio visa evidenciar que ele não conta com aprovação
plena de toda Petrobrás.
A Operação Lava-Jato se assemelha mais a uma série de TV,
atuando em “parceria” com a mídia monopolista e empresarial e alçando ao
estrelato juízes e procuradores que deveriam agir de modo independente e
discreto, sem pronunciamentos e ações espetaculosas conforme exige a
profissão, opostamente ao que temos assistido. Construiu-se no
imaginário da população a ideia de que a corrupção deve ser combatida a
qualquer custo, inclusive à revelia das leis, e a atrelaram a uma
determinada categoria de pessoas. Logicamente corrupção é um problema
sério, mas na prática seu combate não vem sendo efetivo. Com a
justificativa de recuperar o dinheiro roubado dos cofres públicos e
punir poderosos, a operação avança gerando um rastro de destruição
econômica que não é compensada por seus supostos benefícios.
Esta “parceria” entre judiciário e mídia criou uma narrativa
que vem justificando a destruição do país, da própria Petrobrás e
entrega das nossas riquezas ao capital estrangeiro. Não estamos
afirmando que a Operação Lava-Jato é a única responsável por todos os
males que atualmente recaem sobre o Brasil, mas é o principal fator que
viabilizou a ascensão ao poder central da quadrilha de Michel Temer,
trazendo consigo inúmeros retrocessos ou acelerando aqueles iniciados
pelo PT.
O valor monetário recuperado para a sociedade pela Operação
Lava-Jato é controverso; reportam-se as cifras de 1 bilhão, 4 bilhões e
até 10 bilhões, as quais seriam provenientes de pagamento de multas,
acordos de leniência, delações premiadas e bens bloqueados. Já a
Petrobrás recebeu de volta 716 milhões de reais; parecem valores altos,
mas, ainda em 2015, foi realizado um estudo estimando um impacto de R$
140 bilhões no PIB brasileiro, representando uma perda de cerca de 2,5%,
como um “custo” da Lava Jato. Para se ter ideia, em 2014 quando esta
Operação teve início, o PIB era de US$ 2,456 trilhões, terminando 2016
em US$ 1,796 trilhões por vários fatores, inclusive pela paralisia
trazida pelo pretenso combate a corrupção. Logo, as perdas foram muito
mais significativas que os ganhos, gerando um processo de
desindustrialização no país com retorno a uma economia voltada ao setor
primário.
Segundo o DIEESE, estima-se que a Lava Jato tenha sido
responsável pela perda de mais de um milhão de empregos, fragilizando a
Petrobrás e as empresas da cadeia produtiva do óleo e gás, num momento
de sérias dificuldades para essa indústria no mundo. Além disso, a
fragilização das empresas de construção pesada e o ajuste fiscal
reduziram o volume e o ritmo de investimentos públicos em
infraestrutura; só as obras paralisadas somam R$90 bilhões que foram
jogados fora. Portanto, o valor de R$ 38,1 bilhões que a Força-Tarefa
espera recuperar no total não chega nem perto do prejuízo causado à
indústria, à economia brasileira e à elevação da taxa de desemprego.
A estrela principal da Lava-Jato, o juiz Sérgio Moro, vem
sendo rotineiramente criticado por sua atuação e práticas que se
sobrepõem às leis constituídas neste país e ao estado democrático de
direito. Paradoxalmente, justo no momento em que começam a surgir
indícios de corrupção dentro da própria Operação Lava-Jato, com
denúncias graves feitas por Tacla Duran de estar ocorrendo “delações a
la carte” solicitadas por procuradores, negociadas por amigo próximo do
juiz e uso de provas forjadas, pondo em xeque toda a credibilidade da
operação, a direção da Petrobrás convida Moro para reforçar o
“compromisso com a ética e a integridade, em especial com a prevenção à
fraude, à corrupção e à lavagem de dinheiro”. No mínimo, a empresa
deveria ter prudência em relação a este convite e considerar a
repercussão que o caso está tendo sob o risco da desmoralização do
evento e da própria empresa. Porém, a julgar pela recondução do diretor
Elek, prudência quanto a condutas duvidosas não tem sido o forte.
A Petrobrás é uma das maiores empresas do mundo, o petróleo
do Pré-Sal é a maior riqueza dos brasileiros, mas este patrimônio
gigantesco está sendo, mais que nunca, saqueado. Não vamos aplaudir quem
contribuiu para a construção da narrativa que vem servindo para
respaldar tantos retrocessos em nosso país e o desmonte da Petrobrás.
Nós, abaixo assinados, empregados da Petrobrás, repudiamos a presença de
Sérgio Moro na empresa que tanto tem contribuído para destruir.

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