A corrida do TRF-4 para condenar Lula é chocante porque explicita um
alinhamento despudorado do Judiciário com as forças políticas,
econômicas e midiáticas empenhadas em barrar sua candidatura. Porque
escancara a estratégia do tapetão, de garantir a eleição de um preposto
do golpe pela exclusão de Lula, hoje líder isolado nas pesquisas, com o
dobro das intenções de voto do segundo colocado. Passaram-se apenas 42
dias entre a condenação de Sergio Moro e a emissão do voto do relator no
tribunal de apelação . E pouco mais de uma semana depois, a data do
julgamento é marcada. Mas surpreendente não é a decisão do TRF-4, de
antecipar para 24 de janeiro o julgamento de seu recurso contra a
sentença de Moro, furando a fila de processos e atropelando o recesso.
Os que deram o golpe não iriam mesmo conformar-se com um retorno de Lula
à Presidência depois de tudo o que fizeram para encerrar o ciclo dos
governos petistas. Mas o jogo vai além de Lula e não termina em 24 de
janeiro.
Haverá ainda jogo jurídico, pois mesmo com Lula condenado e esgotados
os recursos na segunda instância antes de agosto , ele pode reabrir a
batalha judicial, nos tribunais superiores, quando tentar registrar sua
candidatura e ela for indeferida. Poderá concorrer sub judice, como
fizeram muitos prefeitos em 2016, com toda a carga de incerteza que
isso traria para a disputa.
E haverá jogo político-eleitoral, pois a disputa real não será entre
Lula e os outros, mas entre as forças golpistas e as que se opuseram ao
golpe. Se Lula for impedido de encarnar, para o eleitorado, a repulsa
ao golpe, ao governo desastroso de Temer, a suas reformas e a seu
entreguismo, a seu fisiologismo, outro nome do PT ou da centro-esquerda
cumprirá este papel, tendo Lula como cabo eleitoral. E não será
difícil derrotar o candidato do retrocesso que a população já decifrou,
sofre na pele e rejeita, embora não proteste por uma série de razões.
Entre elas, a inibição que paralisa todos aqueles que se deixaram
enganar, bateram panelas e pediram o impeachment de Dilma. Estão todos
se guardando para quando a eleição chegar.
O que não sabemos é se ela chegará, pois se tiver havido o golpe do
impedimento de Lula, outras patranhas poderão ser cometidas para
garantir o resultado desejado. Ninguém deve se iludir. Depois de terem
se apossado do Estado e do governo sem o voto e o consentimento
popular, eles não terão limites na escaramuça para conservá-lo. Se for
preciso, mandam as aparências que ainda restam às favas e escancaram o
Estado de Exceção.

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