Jane Maia: "O acordo Maia/Macaco precisa ser reavaliado".


A vereadora Jane Maia foi a entrevistada do Programa Jarles Cavalcanti desta sexta-feira, dia 15 de julho de 2011.
Blog – Quando você descobriu que tinha vocação para a política? Você foi influenciada pelos familiares envolvidos na política (Galbê Maia, sua esposa Josidete e, posteriormente, João Maia e Agaciel Maia, entre outros) ou tomou essa decisão isoladamente?
Jane Maia – Em 1983, quando Galbê era prefeito de Jardim de Piranhas pela primeira vez, eu recebi um convite para trabalhar na Secretaria Municipal de Administração, com apenas 16 anos. Fiquei um pouco assustada, por falta de experiência, mas resolvi aceitar esse desafio. A minha primeira escola de vida foi na prefeitura, porque você trabalhando numa secretaria, seja ela qual for, tem contato todos os dias com as pessoas da zona urbana, da zona rural, você escuta os problemas das pessoas e daí você vai se indignando quando não tem condições de resolver, mas também vai sentindo satisfação quando pode ajudar as pessoas. Esse foi o começo. Com esse trabalho que desenvolvi na prefeitura, aprendi muita coisa nessa época.
Quando Josidete Maia assumiu a prefeitura pela primeira vez, no final dessa administração, ela me fez o convite para ingressar na política. De início, eu tive muito medo, mas, depois de consultar a minha família, resolvi aceitar. Isso aconteceu no ano de 1996.
No entanto, acredito que tenha sido esse contato com as pessoas que fez nascer em mim o gosto pela política, pois política é a ciência de bem governar, de cuidar das coisas públicas, de dar solução aos problemas da população. E eu quando entrei na política foi com esse pensamento, e penso assim até hoje.
Blog – Você acredita que está cumprindo bem sua “missão” como vereadora?
Jane Maia – Eu não sei se estou cumprindo 100% da minha responsabilidade, da minha obrigação, mas me esforço muito para tentar dar conta do meu papel. Jesus tentou agradar a todo mundo e foi crucificado, imagine nós, pobres mortais, mas tenho me empenhado muito para dar conta das minhas obrigações como vereadora.
Blog – Na sua opinião, qual o papel que um vereador deve desempenhar na Câmara Municipal?
Jane Maia – A gente escuta muita gente dizendo pelas ruas que o vereador não faz nada, que só quer receber o dinheiro, então é uma função muito criticada. Mas, na verdade, o papel do vereador é muito importante, e então eu procuro fazer o máximo que posso na resolução das questões que chegam até a mim. Quanto à questão administrativa da Câmara, a gente tem a responsabilidade de analisar os projetos que são enviados pra lá, e eu tenho me esmerado em aprovar os projetos que tragam benefícios para o povo.
Blog – Como tem sido a atuação da vereadora Jane Maia?
Jane Maia – A gente tem sempre recorrido a requerimentos, projeto de lei, mas por mais que a gente consiga aprovar esses requerimentos e projetos de lei, a gente não tem o poder de executar. A prefeitura é que tem o poder de fazer a coisa acontecer.
Na maioria das vezes, as pessoas não acompanham o trabalho do vereador e comentam que determinado vereador não faz nada, mas a execução não depende da gente, e muito do que nós aprovamos fica somente no papel.
Se as pessoas participassem mais das sessões, talvez diminuísse essa antipatia que as pessoas têm com a gente e com o trabalho desenvolvido na Câmara.
Blog – Como você reage às críticas de que a Câmara Municipal de Jardim de Piranhas não tem desempenhado o seu papel quanto à administração de Antônio Macaco, no sentido de denunciar o que há de errado no município? Você acha que essas críticas têm fundamento ou não?
Jane Maia – Eu não digo que as pessoas estão de todo erradas. Nós vereadores, na verdade, estamos pecando enquanto representantes do povo. Eu falo nós porque somos todos aliados, e essa aliança muitas vezes nos impede de fazer uma crítica, de fazer um posicionamento. Mas eu tenho consciência de que nós vamos acabar pagando muito caro por isso depois, mesmo sabendo que Antônio faz um excelente trabalho, mas a oposição é necessária para a confirmação da democracia. Se não tem oposição, o que vai perdurar é uma imposição de quem manda, na verdade.
As pessoas têm razão quando criticam pela falta de ação dos vereadores na crítica aos atos do Executivo, mas não têm razão quando dizem quando nós não fazemos nada.
A falta de posicionamento por parte dos vereadores vai ter um custo que será cobrado pela população na hora do voto.
Blog – Você acredita que em 2012 haverá uma renovação na composição da Câmara Municipal, que há possibilidade de aparecerem caras novas para ocupar cadeiras naquela casa?
Jane Maia – Eu não posso prever que vai ou não haver renovação, nem de qual tamanho vai ser essa renovação. O mandato do vereador pertence ao povo.
Tem muita gente boa querendo entrar, mas tem muita gente boa lá na Câmara. Há aqueles que desejam entrar na Câmara apenas se confiando no dinheiro, o que eu acho que é um engano, por que você tem que ter uma base, precisa ter serviço prestado. Tem gente que não acredita que esse trabalho feito antecipadamente ajuda, que só vale o dinheiro. Se não ajudasse, eu não estaria lá, mas já estou lá há quatro mandatos.
Sou funcionária pública e tenho a convicção de que meu mandato não foi comprado. Quanto você entra na política pela força do dinheiro, a sua tendência é não permanecer muito tempo nessa atividade.
Blog – A vereadora Jane Maia faz parte da situação, já que o sistema político a que você pertence está unido ao sistema do prefeito Antônio Macaco. Como é o seu relacionamento com o Executivo de Jardim de Piranhas?
Jane Maia – O meu relacionamento com o poder Executivo é bom, apesar das dificuldades que eu enfrento para a resolução dos problemas, visto que a gente não tem acesso praticamente a nada, tendo que ficar ligando, adulando, se humilhando para poder resolver os problemas das pessoas, o que não era para acontecer.
Mesmo tenho um enorme respeito ao prefeito, em relação ao nosso sistema ele pecou muito, porque não deu o espaço que a gente precisava para poder fazer um trabalho melhor. A gente percebe que tem algumas pessoas do grupo dele que ficam fazendo com que esse acesso seja negado para a gente, exatamente por medo de a gente conquistar mais espaço junto ao prefeito e, consequentemente, conquistando mais votos, o que eu não vejo dessa maneira.
Em política, quando há uma aliança precisa haver partilha e cumplicidade de ambas as partes. Isso não tem acontecido em relação ao nosso sistema, visto que o prefeito não tem dado espaço para a gente nem para o vice-prefeito Galbê Maia.
Na verdade, a aliança fez com que a cidade avançasse em algumas áreas, mas houve acomodação, já que não há oposição.
Nós, vereadores, temos cobrado, no geral, mais acesso a determinadas secretarias, porque precisamos ser ouvidos em nossas reivindicações.
Blog – Muitas pessoas ligadas ao sistema liderado pelo deputado federal João Maia afirmam que o acordo desse sistema com o sistema liderado pelo prefeito Antônio Macaco já deu o que tinha que dar e que não deveria prevalecer nas eleições de 2012. Qual a opinião da vereadora Jane Maia sobre esse assunto? Você é contra ou a favor da continuidade do acordo Maia/Macaco?
Jane Maia – A gente precisa reavaliar esse acordo, porque a gente sabe que existe insatisfação entre pessoas que nos acompanharam a vida toda e que não concordaram com essa união. Inicialmente, eu concordei com a possibilidade desse acordo porque a cidade estava precisando. E ainda concordo, desde que esse acordo seja rediscutido, porque da maneira que está não pode continuar.
A gente foi para o acordo só para somar para eles e não teve o espaço que precisava no governo, e isso é muito ruim. Afinal de contas, para que foi feito o acordo se não temos nosso espaço na administração atual.
Blog – Em que pontos você acha que a atual administração está pecando e, portanto, merecendo críticas, e em que pontos essa administração está acertando, e, consequentente, merecendo elogios?
Jane Maia – A administração de Antônio teve um avanço, tanto que ele tem mais de 60% de aprovação da população, mas a gente precisa avançar muito mais, principalmente no investimento maior em educação, visto que não se investiu o necessário na educação jardinense. Esse investimento poderia proporcionar um salto na qualidade de vida das pessoas.
Com uma educação de qualidade, você consegue eliminar muitos outros problemas, como de segurança, de assistência social, problemas de saúde, enfim, com um real aplicado em educação você consegue economizar muitos reais nas outras áreas, porque educação não é gasto, não é despesa, é investimento.
Mas ainda dá tempo de se fazer a revolução na educação que Jardim precisa. É preciso que se invista em salário do professor, em estrutura, e, depois desse investimento, se colherá melhores resultados.
Blog – Em relação ao futuro, como irá se posicionar a vereadora Jane Maia se porventura se confirmarem as pré-candidaturas que hoje são divulgadas pela cidade, Elídio Queiroz e Rogério Couro Fino? Com quem fica a vereadora Jane Maia?
Jane Maia – Acho que está cedo para se tomar uma posição. Eu nunca fui procurada por nenhum dos dois.
É justo que o atual prefeito queira fazer seu sucessor, mas é mais justo ainda que a população seja consultada, mas até o momento nunca fui convidada pelo prefeito para uma reunião que trate da sucessão municipal.
Tenho todo respeito do mundo por Rogério e por Elídio. Mas, sinceramente falando, acho que não estava na hora nem de Rogério nem de Elídio serem candidatos a prefeito de Jardim. Seria preciso que eles viessem morar em Jardim para vivenciar os problemas da população, porque uma coisa é morar na cidade, outra é passar um fim de semana na cidade.
Na verdade, temos muita gente que mora na cidade e que tem capacidade de administrá-la. Se minha opinião valer dentro do sistema, o candidato tem que ser uma pessoa que more na cidade.
Blog – E quanto ao seu próprio futuro político, você deseja continuar como vereadora, disputará uma indicação para ser vice de alguém, pode ser candidata a prefeita? Como você projeta o seu futuro na política a partir do pleito de 2012?
Jane Maia – O futuro da humanidade a Deus pertence, e o futuro do político pertence a Deus e depois ao povo. Só posso dizer o que eu vou ser se tiver o respaldo do povo. Mas posso adiantar que se eu tivesse uma estrutura financeira mínima, eu iria ser candidata a prefeita, para o povo ter um candidato que mora na cidade para votar.
Muitas vezes o prefeito viaja e os secretários não têm como resolver os problemas que chegam a eles. Esse é o problema de se ter um prefeito que more fora.
Até posso votar em um deles, desde que a gente sente para conversar e ponha os pingos nos “is”, porque não adianta a gente votar numa pessoa e essa pessoa desaparecer e a gente ficar pagando por isso.
Blog – Se Jane Maia receber o convite para disputar a prefeitura, até mesmo por outro partido que não seja o PR, está preparada para ser candidata?
Jane Maia – Preparada a gente nunca está, mas, sinceramente, eu não tenho medo de tomar nenhuma decisão. Eu fui do DEM e vim para o PR, mas não tenho recebido reciprocidade desse sistema. Estou no quarto mandato, sempre sendo fiel e seguindo orientação do meu sistema político. Agora, na verdade, esse sistema ao qual fui tão fiel não tem correspondido a minha doação. Então, na hora que eu tiver que tomar uma decisão, seja ela contra quem for, eu não vou sentir nenhum remorso, porque eu tenho certeza que tenho sido fiel ao sistema.
No momento, eu não tenho como sair para outro partido em que eu não possa confiar, porque eu já me decepcionei politicamente com quase todos os políticos, e dificilmente vai aparecer um que eu confie cegamente. Por todos os partidos que eu passei não tive a reciprocidade que mereço.
Até dezembro, eu espero, com a ajuda de Deus, que resolva meus problemas de saúde para enfrentar a campanha política.
Com relação à campanha para prefeito, ninguém nunca está preparado, mas pode se preparar e aprender a enfrentar os desafios. É preciso que se tenha pesquisas para ver como lhe avaliam e uma mínima estrutura financeira para se entrar numa campanha. Digo que se tivesse dinheiro apenas para fazer as fotografias, seria candidata, apenas para as pessoas terem uma pessoa da terra para votar.
Em relação à atuação do poder Legislativo, e aí eu me incluo, acredito que o nosso maior pecado é não fiscalizar, não ter manifestado a nossa indignação quando as coisas estão desandando, muitas vezes, falo por mim, em nome da fidelidade ao sistema político a que pertencemos Mas ainda há tempo de se fazer a revolução que Jardim precisa.
Fonte: Jarles Cavalcanti

0 Comments:

Postar um comentário