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| PLÍNIO DANTAS "MARINHEIRO" SALDANHA |
Em 1959, no dia
25 de abril, morria o maior líder político jardinense: Plínio Dantas
Saldanha. Em sua homenagem, transcrevo, abaixo, trecho (ainda inédito)
da segunda edição do livro Jardim de Piranhas: Ontem e Hoje:
Marinheiro
Saldanha, assim chamado devido à sua pele de cor clara, é considerado,
até hoje, a maior liderança política jardinense.
Em 25/07/1954, o
jornal curraisnovense “A Voz do Seridó”(¹) publicou extensa
reportagem, intitulada “Trabalho e Inteligência Redimindo o Nordeste”,
do seguinte teor:
Realizações
fecundas de um fazendeiro adiantado e operoso. Como o Sr. Plínio
Saldanha projeta a sua atuação no cenário econômico do Rio Grande do
Norte e Paraíba.
Dentre as
figuras e as realizações mais interessantes que temos tido ocasião de
conhecer, através deste sertão nordestino, não podemos deixar de
salientar a personalidade relevante e a obra magnífica de agrícola e
seleção pecuária, de um dos mais destacados vultos desta zona.
Esta
personalidade por todos os títulos destacada é a do Sr. Plínio Saldanha,
conhecido familiarmente aqui e na Paraíba por “Marinheiro” Saldanha.
Nome
sobejamente conhecido no Nordeste, pela projeção social, política e
financeira de sua família – os Dantas e os Saldanhas – já por sua
própria atuação pessoal, o Sr. Plínio Saldanha é um dos mais
distinguidos e conceituados destas redondezas.
Ele está
criando um admirável empório agrícola e pecuário em sua grande fazenda
“Esperas”, no município paraibano de Brejo do Cruz, na ponta da terra
que a Paraíba empurra pelos vales do Piranhas e do Seridó adentro no Rio
Grande do Norte. Essa fazenda é um enorme latifúndio, uma colmeia
formidável de trabalho. Tem sete léguas quadradas de terras de criar e
plantar, com nove açudes em seu domínio. É um aglomerado de várias
propriedades do Sr. Plínio Saldanha e sua matriz, com a denominação
referida, abriga mais de 100 (cem) moradias, com cerca de 600
habitantes.
A casa da
residência local do Sr. Plínio Saldanha é magnífica, dispondo de todo o
conforto moderno, rádio, geladeira, mobiliário finíssimo, grandes e
luxuosas instalações. Na sua propriedade, o Sr. Plínio Saldanha emprega
os mais modernos processos de cultura mecânica. Dispõe mais de 72
cultivadores mecânicos, 16 arados e duas grades para o trabalho
agrícola. Por isso mesmo o inteligente agricultor conseguiu um tipo
uniforme e perfeito de fibra de algodão, que se coloca entre as melhores
desta zona. Suas culturas são exclusivamente da variedade mocó,
produzindo fibra longa e perfeita.
É ele
apontado e registrado na Paraíba como um dos maiores produtores de
algodão do Estado. O Sr. Plínio Saldanha, em Jardim de Piranhas, tem
realizado várias vendas de algodão em Natal, de sua lavra, obtendo
classificação do tipo dois com fibra de 34-36mm, o que representa um
verdadeiro “test” de produção do “ouro branco”.
Além desse
esforço poderoso no sentido do aperfeiçoamento da cultura agrícola do
Nordeste, o Sr. Plínio Saldanha situa-se também entre os maiores e mais
adiantados criadores da região. Sua fazenda Esperas está produzindo uma
seleção completa de espécies raciais bovinas, eliminando quase
completamente o gado crioulo, conhecido vulgarmente por “pé duro”. O que
ainda existe em “Esperas”, de nossas espécies comuns, é gado de compra
para solta.
Nesse
terreno, o trabalho do Sr. Plínio Saldanha também é relevante. Possui
ele uma criação abundante (orça por 2.600 cabeças a sua contagem de
bovinos) e toda selecionada.
São
conhecidos e admirados os seus exemplares de Zebus com as variedades
familiares Guzerat e Indo-Brasil, além de explêndidos especimens de
Schwirtz e da raça Hersford, linhagem cara e preciosa, de bovino. No
setor comercial o Sr. Plínio Saldanha presta inestimáveis benefícios ao
desenvolvimento da economia desta zona.
É um dos
maiores compradores e exportadores de algodão desta faixa limítrofe do
Rio Grande do Norte e Paraíba, estimulando e auxiliando a plantação de
grandes e pequenos agricultores, a quem financia largamente, com um
espírito liberal e desprendido, promovendo assim sempre novas
iniciativas e incrementando a produção agrícola e o alargamento do
comércio nestas lindas longínquas.
Para o
beneficiamento da produção algodoeira de suas lavras e da grande maioria
dos agricultores vizinhos, o Sr. Plínio Saldanha possui em sua
propriedade duas usinas modernas, uma de grande e outra de média
capacidade.
Vê-se,
assim, através de traços rápidos, a capacidade dos nordestinos em
levantar a gleba nativa da situação e de improdutividade em que se
deixou ficar estiolando por muitos anos. Conhecendo-se a obra destacada e
fecunda de trabalhadores inteligentes e adiantados do porte de um
“Marinheiro” Saldanha é que melhor se pode ajuizar do futuro radioso que
espera o destino do Nordeste, para enriquecimento coletivo e felicidade
de suas populações.
Propriedades
do Sr. Plínio Saldanha: Matriz – Esperas; filiais – Pau d’Arco,
Mucambo, Passagem da Onça, Pitombeira, Cotias, Palha, Sta. Luzia,
Timbaúba e Monte Alegre.
O Sr. Plínio
Saldanha nasceu no dia 12.07.1892 na fazenda Brejo do Cruz/PB. Em 1928,
chegou a Jardim de Piranhas, exerceu o comércio ali, de tecidos,
compras de algodão e sementes de oiticica, 1930, revolucionário, gozando
do prestígio do executivo Interventor Dr. Mário L. R. P. da Câmara,
ingressando no P.S.D., sendo chefe político do Município de J. de
Piranhas, onde foi prefeito em 1946, quando realizou-se eleição
nacional, Sr. Plínio Saldanha, como candidato de suplente de senador do
Sr. Georgino Avelino, tendo alcançado nada menos de 78.000 votos.
Antes de se
instalar definitivamente em Jardim, “Marinheiro” Saldanha foi prefeito
de Brejo do Cruz (PB). Assumiu também a Prefeitura local em dois
mandatos: de 13/03/1951 a 30/03/1953 e de 31/03/1958 a 25/04/1959. No
primeiro, nomeado pelo Governador do Estado na época, Jerônimo Dix-Sept
Rosado; no segundo, eleito democraticamente pelo povo.
À frente do
Executivo Municipal, “Marinheiro” promoveu o desenvolvimento do
município, entregando à população várias obras, dentre as quais se
destacam o Mercado Público e a energia elétrica a motor, logo no
primeiro mandato que exerceu. Entretanto, muito pouco pôde realizar em
seu segundo mandato, pois só governou exatos um ano e 24 dias, quando
faleceu no dia 25 de abril de 1959, na sua fazenda “Esperas”.
Durante todo o
tempo em que exerceu sua liderança política, a figura firme e decidida
do “Coronel Marinheiro” sempre esteve ao lado do povo, quando este se
viu ameaçado ou necessitando de auxílio. Um fato que ilustra sua
condição de líder encontra-se registrado nos anais da Câmara Municipal.
Em 26/04/1966, realizou-se sessão solene visando a homenagear
“Marinheiro”. Na ocasião, Francisco das Chagas Vale Saldanha, seu filho,
num emocionado pronunciamento,
(...)
discorreu magnificamente a respeito da vida pública do homenageado,
ressaltando todos os tópicos políticos ocorridos na longa e destacada
carreira política do grande líder. Assinalou as suas virtudes bem
coordenadas na inequívoca capacidade de liderança e alicerçadas na
vocação democrática de que era possuidor. Acentuou que graças a esta
vocação democrática, impediu, com toda a força de seu prestígio, que a
sanha terrorista e criminosa desencadeada pela política do então
interventor Mário Câmara viesse afligir nosso povo. E quando o sicário
Ten. Rangel chegou a esta cidade de chibata na mão, para coagir o povo,
foi a voz firme, na ação positiva de Plínio Saldanha, que, na o .ouvidos dos
jardinenses: “Tenente, guarde sua chibata que este povo é meu” (...)
(²).
(¹) A VOZ DO SERIDÓ. Ano II, nº 8: Currais Novos, 25/jul/1954.
(²) CÂMARA MUNICIPAL DE JARDIM DE PIRANHAS. Registro de Atas Especiais. Livro nº
Fonte: Alcimar da Silva Araújo


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