Plínio Dantas Saldanha, O velho Marinheiro,

 Jair Eloi de Souza*
Tempos idos, quando ainda se ouvia o rasgo da ema, nos descampados do tempo e terras ribeirinhas dos sertões do Seridó. Empreendedores vindos das terras d`além-mar, Minho, Viana, Trés-dos-montes e Douro, feudos ibéricos. Após a "guerra dos gentios bárbaros", (1694), adentraram nas terras do Acauã-Serido, seguindo a trilha Olinda, Igaraçu, Goiana até topar o solo potiguar. traziam lotes de duzentos e cinquenta cabeças de gado. entregavam ao vaqueiro que tinha a coadjuvância dos atrelados (nominados de fábricas). O empreendedor pioneiro, tinha a alcunha de "Marinheiro". Supunham que este nome tinha um viés para o cênico de homens de tez branca e de pessoas de razoáveis recursos, e de espírito afeito ao empreendedorismo.

No segundo quartel, quase na idade meã do Século XiX, os Dantas do Teixeira, grandes criadores e gente recursada, viveram uma espécie de entrevero belicoso, muitos desceram para as terras férteis do Piancó-Piranhas-açu e permeio do Espinharas. Daí a presença dessa saga Dantas, na Paraíba e Rio Grande do Norte, que não são parentes distantes dos Dantas de Dom Adelino e dos que também viveram em Catolé do Rocha e também daqueles que foram consolidar as luzes do saber na Veneza brasileira (Recife).

Tempos mais recentes, finzinho das eras de cinquenta, ainda um infante que colhia araçás nos campos aberto do meu sertão, em plena quadra invernosa, de l959, baita refrigério para os que escaparam do ano ruim de l958. Nas andanças de peralta com meus contemporâneos pelas ruas, demos com o som da difusora em cantos fúnebres. A morte havia abatido o velho Marinheiro. Meu avô, Chico Eloi, tangerino-mor de Marinheiro, durante toda a seca de l958, conduzindo as grandes retiradas de gado para as serras paraibanas, morava em uma casa de taipe. Chegara e dissera para minha avó." Aninha Marinheiro Morreu. nunca mais vai ter um homem que nem seu Marinheiro." Foi um dia de juízo. As lágrimas de minha ancestral foram seguidas pelas de meu avô, pois, tinha com Marinheiro, um resina de profunda amizade e confiança recíproca.

Marinheiro o maior empreendedor de todos os tempos de nossa terra. Milhares de hectares de terra, grande criador de gado vacum. trazia as boiadas do Piauí, gado pé-duro, depois indu-brasil, gir. O maior plantador de algodão. usineiro ( VAPORES DE BENEFICIAMENTO DO ALGODÃO MOCÓ).

Mas, o "Véio Marinheiro", como afetivamente era tratado pelos seus amigos e conterrâneos, tinha o tirocínio político, lider inconteste. Prefeito, Senador da República, não assumira o mandato, porque o amor pela sua "Esperas", era maior.
E mais grandiosa era seu amor por nossa Jardim. Que aliás, foi o grande planejador da Jardim de hoje.

Solidariedade mesmo com os adversários era exuberante. 1935, interventoria de Mário Câmara, eleição transcorrendo. Tenente Oscar Mateus Rangel, (assassino de Otávio Lamartine), delegado regional para o Seridó. Surrava os adeptos de Dinarte, José augusto. Piqueteava Caicó. Dinarte valeu-se de Marinheiro nas "Esperas", e foi atendido. Marinheiro veio a Caicó, e inibiu a Fúria daquele desvairado deliquente.

Não é tudo, o Velho Marinheiro é muito mais do que isso. Um coronel moderno, um patriarca que tinha zelo e cuidado com o seu povo.

Os meus préstimos de escriba ao velho alcaide dos confins do meu Seridó. Uma saga, que merece uma antiga e velha toada ou uma canção de um abril chuvoso.

*Professor de Direito e Secretário Municipal do Meio Ambiente de J. de Piranhas.

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