Aos poucos, os grupos que apoiaram o golpe de 2016 começam a se dar conta do estrago econômico causado por esse processo.
Alguns dias atrás, a jornalista
Eleonora de Lucena, ex-editora da Folha, publicou artigo apontando que a
elite brasileira deu um tiro no próprio pé ao apoiar o golpe – para
destruir o PT, decidiu destruir o Brasil (leia mais aqui).
Agora, a própria Folha publica importante editorial, chamado A mosca azul,
que mostra como a farra fiscal promovida pelo interino Michel Temer
pode quebrar o País e várias empresas do setor privado. O motivo: para
se consolidar no poder da República, Temer abre os cofres da República.
"O desastre nas contas públicas
federais continuou evidente ao fechar-se o primeiro semestre. A despesa
não financeira da União, de R$ 573 bilhões (19% do PIB) superou a
receita em R$ 33 bilhões. No
segundo semestre, apesar da provável retomada discreta da economia, o
buraco fiscal vai se aprofundar. A meta do Planalto é fechar o ano com
um deficit de R$ 170 bilhões, cerca de 3% do PIB, de resultado primário
(saldo antes de computada a despesa com juros)", diz o texto.
Em seguida, a Folha aponta a lógica política de Temer – gastar e fazer concessões. "Já
causa incômodo a fleuma do governo provisório de Michel Temer (PMDB)
diante do descalabro nas contas públicas. O teto de gastos, cuja
aprovação parece ser a única promessa deste ano na área fiscal, não é
terapia que desobstrua a principal artéria da finança federal,
justamente a Previdência. Para
piorar, Temer tem sido pródigo em reajustes para servidores públicos. Na
última concessão, acenou com 37% de aumento para delegados da Polícia
Federal."
A consequência disso, diz a Folha,
será a manutenção dos juros altos (os maiores do mundo), com
consequências nefastas para a dívida pública e para o setor privado. "Os juros, advertiu o Banco Central, não cairão antes de ser equacionado o nó das contas da União. Se
o custo do dinheiro permanecer elevado por muito mais tempo, uma onda
de quebras de empresas endividadas não poderá ser descartada. Esse risco
já se prenuncia na alta de provisões contra calotes nos balanços dos
bancos que fornecem crédito às companhias", diz o editorial. "A
complacência de Temer e seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, na
área fiscal sugere que foram picados pela mosca azul da ambição
eleitoral em 2018. Se não baixarem os olhos para o chão acidentado logo à
frente, vão tropeçar."
O editorial começa a apontar,
portanto, como o golpe de 2016 sangrou a economia brasileira e deixou
uma conta que irá demorar muitos anos para ser paga.

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