Goiás247 - O golpe que se propõe a destituir a
presidente Dilma Rousseff (PT) é o início de uma espécie de ditadura do
parlamento, onde os próximos presidentes, inclusive o interino, Michel
Temer (PMDB), tornar-se-ão reféns dos interesses de deputados e
senadores.
O próprio Temer conspira para instituir um parlamentarismo a fórceps
ao declarar que o processo de afastamento de Dilma é político muito mais
do que jurídico. A assertiva envia um sinal contundente de que, a
partir de agora, o Congresso Nacional terá o controle da República, à
revelia do desejo expresso pelo povo nas urnas ao votar no presidente:
não cativou a base parlamentar, recorre-se irremediavelmente ao
impedimento.
O cenário se apresenta ainda mais grave com a constatação de que o
líder máximo da nação terá de se submeter aos interesses fisiológicos e
clientelistas do Centrão, grupo hoje formado por metade dos deputados
federais, muitos envolvidos em denúncias de corrupção, e que possui
forte senso corporativo em torno de interesses próprios.
"Eu penso que o Senado vai avaliar as condições políticas de quem
está hoje no exercício e de quem esteve no exercício da Presidência até
um certo período", disse Temer, um suposto constitucionalista, agora
inebriado pela conveniência.
Uma conveniência, aliás, que cega à quase unanimidade de líderes
tucanos, socialistas e cristãos até então aclamados democratas. Só isso
pode explicar – embora não absolva, destaque-se – o apoio de figuras
como Fernando Henrique Cardoso, Cristovam Buarque, Roberto Freire e
demais a esse golpe que ameaça uma jovem democracia, que não conseguiu
sequer chegar aos 30 anos a partir de seu restabelecimento, em 1989, com
a eleição de Fernando Collor de Melo.

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