Brasília 247 – O deputado afastado Eduardo Cunha
(PMDB-RJ) fez na noite desta segunda-feira 12, da tribuna do plenário da
Câmara, seu último apelo para que os deputados não cassem sem mandato
por quebra de decoro parlamentar. Ele admitiu que, sem ele, não teria
ocorrido o processo de impeachment de Dilma Rousseff.
"Esse governo que vocês defendem foi embora graças a Deus. Essa é que
é a verdade. E esse processo de impeachment é que está gerando tudo
isso. O que quer o PT? Um troféu, para poder dizer que é golpe. 'É
golpe', vamos gritar que é golpe. Vamos para a rua. Golpe foi dado pela
presidente, em usar dinheiro do petrolão para pagar caixa 2 de
campanha", discursou Cunha.
Segundo ele, trata-se de uma "vingança" contra ele, por ter aceitado o
pedido de impeachment. "É o preço que eu estou pagando para o Brasil
ficar livre do PT. Vivemos um processo puramente de natureza política,
estamos na vingança. Cada um vai falar no seu Estado: votei para cassar
Eduardo Cunha", disse. Ele afirmou que marcar a sessão de votação numa
pré-eleição é querer transformar o episódio num "circo".
Cunha destacou, como já havia feito em depoimento na Comissão de
Constituição e Justiça (CCJ), que cerca de 150 deputados têm contra eles
"inquérito, ação penal, denúncia, investigação" e que "amanhã [a
cassação] vai ser [com] qualquer um de vocês". Em um momento de sua
fala, ele reconheceu a derrota: "posso ficar horas falando aqui, vocês
não vão querem me ouvir".
Depois de dizer que não mentiu à CPI da Petrobras, porque segundo ele
não tinha conta não declarada na Suíça, Cunha pediu: "A mim, como
deputado, só cabe pedir um voto, que tenham isenção. Não me julguem por
aquilo que está colocado na opinião pública. Julguem por aquilo que está
na peça". Chorando, pediu para que não acabassem com sua carreira
política: "Que deus possa iluminar vocês".
Leia mais na Agência Câmara sobre o discurso:
Cunha nega contas no exterior e afirma ser vítima de perseguição política
O deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) negou possuir conta no
exterior não declarada, disse que é vítima de perseguição política e que
chega ao Plenário já cassado por opiniões pré-concebidas na sociedade.
Em discurso de 33 minutos aos deputados, ele reafirmou que os
recursos que usou no exterior pertencem a um trust, do qual é apenas
beneficiário. O processo de perda de mandato contra Cunha baseia-se no
fato de que ele teria mentido à CPI da Petrobras, quando disse não
possuir contas no exterior, em depoimento espontâneo feito em maio de
2015.
O deputado afastado contestou essa argumentação e sustentou que o
processo não conseguiu identificar a conta ou o banco em que ele teria
contas. "Eu quero saber o número da conta", desafiou. "Eu não menti à
CPI. Cadê a prova?", indagou Cunha.
Processo político
Ele acredita ser vítima de um processo político por ter aceito a
denúncia que deu origem ao processo de impeachment da ex-presidente
Dilma Rousseff. "Alguém tem dúvida de que, se não fosse minha atuação,
teria tido processo de impeachment? Essa é a razão da bronca do PT e de
seus asseclas". "Estou pagando o preço por ter dado continuidade ao
processo de impeachment. É o preço que eu estou pagando por livrar o
País do PT."
De acordo com Cunha, os deputados vão votar hoje sem conhecer
"tecnicamente" as sete mil páginas do processo contra ele, e apontou
também ser vítima de um "tratamento diferenciado" por parte do Supremo
Tribunal Federal (STF), onde responde a diversos procedimentos
criminais, como duas ações penais (em que figura como réu) e uma
denúncia, além de um pedido de prisão.
Prova disso, segundo o ex-presidente da Câmara, é que até hoje, dos
mais de quarenta parlamentares citados em delações da Operação Lava
Jato, só dois possuem processo no Supremo: ele e Nelson Meurer (PP-PR).
Além disso, o prazo médio de aceitação de denúncia na Corte é de 662
dias. No caso dele, teria foi menos de 60 dias. "Efetivamente, existe um
tratamento diferenciado", declarou.
A sessão para análise do processo contra o deputado Eduardo Cunha prossegue no Plenário da Câmara.

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