Eduardo Cunha vai agora tratar de livrar sua própria pele e a de sua família, na justiça. Não tem mais compromissos com ninguém.
Tudo que ele fez pelo poder, pelo afastamento de Dilma para colocar
Temer na presidência da República, certamente para se proteger do pior
que poderia acontecer com ele, ser tirado da presidência da Câmara,
cassado e preso, ruiu numa madrugada de terça-feira na qual obteve
apenas dez votos leais.
Cunha sentiu o gosto amargo da traição, o golpe da bancada que ele
dominava na Câmara com sua montanha de dinheiro. Viu derreter o poder
que tinha num átimo. Ele agora é um homem comum diante de seus crimes.
Parece que Cunha alimentava ilusão de que Temer o temia, devido aos
serviços inconfessáveis prestados na conspiração que resultou no golpe.
Temer traiu Dilma e o traiu também. O abandonou na caverna dos chacais.
O casamento político de Temer e Cunha, que atravessou décadas à
frente do PMDB, com parcerias clandestinas de financiamento de campanhas
eleitorais, entrou na fase de divórcio com possíveis desdobramentos
litigiosos.
Os destinos dos dois que tramaram a derrubada da Presidenta Dilma, na
calada das noites no Palácio do Jaburu, às margens do Lago Paranoá, no
final da história tomam rumos muito diferentes.
Temer está ora no Palácio do Planalto ora no Palácio da Jaburu com
sua "recatada do lar" tilintando talheres, taças de cristal em brindes
com finos vinhos e espumantes, em jantares à mesa com os algozes que
cassaram Cunha, enquanto o ex-poderoso presidente da Câmara caminha
passo a passo com sua "glamorosa" das grifes e sua filha, para as celas
de um presídio de refeições e aposentos bastante modestos. Temer virou
as costas para Cunha.
Desilusões e mágoas o devoram. Restaram para ele o tilintar das
algemas brilhantes e o barulho do ferrolho da porta da grade da cela
onde passará a habitar, em breve, a lhe atormentar dia e noite.
O prato predileto de Eduardo Cunha, na política, é a vingança, que será servido frio, como ele, na hora certa. Temer sabe disso.
Temer treme.

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