O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes reagiu
fortemente à decisão do colega e ministro Luiz Fux que determinou
devolução do projeto anticorrupção à Câmara a partir da estaca
zero. Segundo ele, impor ao Congresso que aprove um texto sem fazer
alterações é o mesmo que fechar o Legislativo. "É um AI-5 do
Judiciário", afirmou em referência ao Ato Institucional 5, que, em 1967,
suspendeu garantias constitucionais no País. Para ele, o Supremo
caminha para o "mundo da galhofa".
As informações são do Estado de S.Paulo.
"Dizer que o Congresso tem que votar as propostas que foram
apresentadas e só? Então é melhor fechar o Congresso logo e entregar as
chaves. (…) Entrega a chave do Congresso ao (Deltan) Dallagnol
(coordenador da força-tarefa da Lava Jato). Isso aí é um AI-5 do
Judiciário. Nós estamos fazendo o que os militares não tiveram condições
de fazer. Eles foram mais reticentes em fechar o Congresso do que nós",
afirmou Gilmar Mendes ao Estado.
Ele sugeriu ainda que a"chave" do Congresso poderia ser entregue "ao
Zveiter”. O desembargador Luiz Zveiter foi impedido pelo STF nesta
quarta-feira, 13, de assumir a presidência do Tribunal de Justiça do Rio
de Janeiro, após a Corte considerar inconstitucional regra que permitia
a reeleição. O ministro Luiz Fux, que concedeu a liminar sobre o pacote
anticorrpução, também é do Estado do Rio de Janeiro. "Hoje decidimos
que a eleição do Zveiter não valeu. De repente, ele é do Rio,
vocacionado para bom gestor. De repente entrega a ele (a chave do
Congresso) ou à Lava Jato, que fez a proposta", afirmou Mendes.
O ministro foi um crítico da decisão de Marco Aurélio Mello,
derrubada pelo plenário do Supremo, que chegou a afastar, na semana
passada, Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado. Sobre a
situação da Corte, afirmou: "De repente nós todos enlouquecemos e não
descobrimos ainda (…) Estamos (STF) caminhando rapidamente para virar
uma instituição de galhofa".

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