No artigo Afastamento de Dilma é hipocrisia como jamais houve no Brasil, o jornalista Janio de Freitas, decano da imprensa brasileira, reflete sobre como o golpe de 2016 entrará para a história.
"Quem não aceita ver
golpe partidário na construção do impeachment de Dilma Rousseff pode
ainda admitir, para não se oferecer a qualificações intelectual ou
politicamente pejorativas, que o afastamento da presidente se faz em um
estado de hipocrisia como jamais houve por aqui", diz ele. "O
golpe de 64 dizia-se 'em defesa da democracia', é verdade. Mas o
cinismo da alegação não resistia à evidência dos tanques na rua, às
perseguições e prisões."
Hoje, diz Janio, o golpe feito por civis e pelo parlamento é diferente. "A hipocrisia do lado civil não tem mais quem a encubra, ficou visível e indisfarçável."
Como o próprio interino
Michel Temer afirmou que o julgamento é político, embora o Brasil não
seja um país parlamentarista, Janio afirma que "todo o processo do impeachment é, portanto, farsante."
E um dos maiores representantes da farsa é o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), incumbido de produzir o relatório do golpe. "As
441 folhas do relatório do senador Antonio Anastasia não precisariam de
mais de uma, com uma só palavra, para expor a sua conclusão política:
culpada. O caráter político é que explica a inutilidade, para o senador
aecista e seu calhamaço, das perícias técnicas e pareceres jurídicos
(inclusive do Ministério Público) que desmentem as acusações usadas para
o impeachment", diz ele. "Do
primeiro ato à conclusão de Anastasia, e até o final, o processo
político de impeachment é uma grande encenação. Uma hipocrisia política
de dimensões gigantescas, que mantém o Brasil em regressão descomunal,
com perdas só recompostas, se o forem, em muito tempo – as econômicas,
porque as humanas, jamais."

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